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STF concede alvará de soltura a Márcio Canella, ex-prefeito preso na Operação Unha e Carne

by Guilherme Salles

Decisão do STF liberta ex-prefeito de Belford Roxo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liberdade ao ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado Márcio Canella (União) na noite de sexta-feira. A decisão representa um desdobramento importante no caso que envolveu a prisão em flagrante do político por posse ilegal de arma de fogo durante operação da Polícia Federal.

Circunstâncias da prisão e prisão ratificada

Márcio Canella foi preso durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na terça-feira pela Polícia Federal. Após passar por audiência de custódia, sua prisão foi ratificada e ele foi transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, também conhecido como Bangu 8. Segundo a Polícia Federal, um fuzil foi encontrado no veículo de Canella durante o cumprimento da operação, embora o ex-prefeito tenha negado propriedade sobre a arma.

Operação Unha e Carne: investigação sobre lavagem de dinheiro

A operação em questão apura a ligação de agentes públicos com organizações criminosas, especificamente investigando suspeitas de uso de postos de gasolina para lavagem de dinheiro. O Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou uma movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos pela rede de postos investigada.

Durante as operações, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 19 endereços distribuídos na capital e em cidades como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Na residência de Canella, agentes federais apreenderam outras armas, munição e relógios de luxo. Ao todo, foram confiscados 11 carros de luxo, incluindo uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão, além de cerca de R$ 800 mil em dinheiro encontrados em uma empresa em Niterói.

Impactos políticos e consequências da prisão

A prisão de Canella provocou um novo abalo na montagem do palanque do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Rio. Apontado pela federação União Brasil-PP como candidato ao Senado com apoio de Flávio, Canella tornou-se o segundo nome da chapa atingido por investigação da PF em menos de dois meses. Nos bastidores, dirigentes do PL afirmam que a federação deve recuar da indicação e apresentar um substituto.

A avaliação entre aliados do presidenciável é que a permanência de Canella ficou politicamente insustentável. Embora a decisão final caiba à federação, interlocutores de Flávio sustentam que manter a candidatura significaria impor mais um desgaste a uma chapa que já passou por sucessivas mudanças e questionamentos.

Desdobramentos processuais esperados

A Justiça determinou o sequestro de bens envolvidos, além da suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado. Os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. O delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio, também é investigado nesta operação.

A Operação Unha e Carne está vinculada à Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal por determinação do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF das Favelas (ADPF 365). Este histórico de investigações demonstra o intenso escrutínio das autoridades sobre conexões entre agentes públicos e atividades criminosas no estado do Rio de Janeiro.

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