A jovem Isabelle Lemos, de 18 anos e residente na comunidade Gardênia Azul, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro, está a caminho de um dos centros acadêmicos mais prestigiados do mundo. Em setembro, ela dará início ao curso de Aeronáutica e Astronáutica na renomada Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
Com uma taxa de aceitação abaixo de 4%, Stanford aceita anualmente menos de 2.200 alunos dentre mais de 55 mil postulantes. A conquista de Isabelle se torna ainda mais significativa quando considerada sua trajetória, sendo ela filha de mãe solteira e ex-aluna de escola pública.
Além da instituição californiana, Isabelle também foi aprovada em outras quatro universidades americanas: University of Rochester, Wesleyan University, University of Notre Dame e Dartmouth College.
Da Gardênia Azul para Stanford
A trajetória acadêmica de Isabelle teve uma reviravolta durante a pandemia, enquanto cursava o 7º ano. Nesse período, ela se juntou ao Ismart (Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos), um projeto que busca identificar jovens em situação vulnerável e proporcionar suporte para sua inserção em escolas particulares de excelência.
Graças à bolsa recebida, Isabelle passou a frequentar o Colégio pH no período da tarde, mantendo suas aulas na escola municipal pela manhã. Embora sua rotina tenha se tornado mais desafiadora, novas oportunidades começaram a surgir em sua vida.
“A participação no projeto mudou minha vida em 100%. Eu era uma aluna destacada na escola pública, mas estava limitada àquele ambiente. Quando entrei no Ismart, meu horizonte se ampliou”, revela Isabelle Lemos.
Rotina intensa de estudos e projetos
<pDurante o ensino médio, a preparação para o futuro ganhou um novo impulso. Isabelle participou do Prep Program da Fundação Estudar e começou a equilibrar olimpíadas científicas, atividades extracurriculares e a preparação para vestibulares brasileiros e processos seletivos internacionais.
A estudante tem grande interesse por engenharia de sistemas orbitais e missões espaciais. Essa paixão começou na infância com o incentivo de uma tia que frequentemente a levava a livrarias e bibliotecas.
“Nesta trajetória, recebi toda a orientação necessária em organização e busca por oportunidades, além do apoio mental e físico”, afirma Isabelle Lemos.
“Minha tia comprava vários livros sobre astronomia para mim; esse foi meu primeiro contato com a área que escolhi seguir”, recorda a estudante que decidiu ser engenheira aos 12 anos.
Retorno social está nos planos
Apesar da mudança para os Estados Unidos, Isabelle destaca que deseja manter laços com sua comunidade natal. A futura engenheira planeja utilizar o conhecimento adquirido para impactar positivamente a educação local e apoiar iniciativas sociais.
Mariana Rego Monteiro, diretora executiva do Ismart, ressalta que a história da estudante reflete a missão da entidade.
“Quando Isabelle menciona seu desejo de retornar para fazer diferença em sua comunidade, ela sintetiza tudo o que acreditamos. Não formamos jovens apenas para deixarem seus lugares de origem; formamos líderes que carregam esse legado com orgulho onde quer que vão”, declara Mariana Rego Monteiro.
Isabelle Lemos conclui: “O Ismart foi a chave que eu precisava girar para abrir as portas de um novo mundo e ampliar minha visão sobre carreira e futuro.”



