Home NotíciasDuas áreas de preservação de Niterói sofrem com incêndios em uma semana: Mata Atlântica em risco

Duas áreas de preservação de Niterói sofrem com incêndios em uma semana: Mata Atlântica em risco

by Guilherme Salles

Incêndios destroem áreas de preservação ambiental em Niterói

Em menos de uma semana, duas importantes áreas de preservação ambiental de Niterói foram atingidas por incêndios que causaram danos significativos aos ecossistemas locais. Os episódios reacendem o debate sobre proteção ambiental e prevenção de queimadas na região metropolitana do Rio de Janeiro.

O primeiro incidente ocorreu na Ilha Pai, localizada dentro da Reserva Extrativista Marinha de Itaipu (Resex), durante o vendaval que atingiu o estado no dia 29 de julho. Posteriormente, na noite de quinta-feira, dia 6 de agosto, um segundo incêndio foi registrado no Costão de Itacoatiara, área integrante do Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), uma das principais unidades de conservação da Mata Atlântica no município. Os efeitos devastadores desses dois episódios ainda estão sendo avaliados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Destruição na Ilha Pai: mais de 70% da vegetação queimada

A vistoria técnica realizada pelo Inea revelou números alarmantes: mais de 70% da área da Ilha Pai foram destruídos pelas chamas. A origem exata do incêndio ainda não foi identificada, e as autoridades apontam que as condições adversas de mar e vento no dia do vendaval impediram que as equipes de combate atuassem com segurança, visto que a ilha possui acesso restrito e a aproximação com equipamentos é extremamente difícil.

Paulo Oberlander, professor de surfe e ativista ambiental, documentou o incêndio e visitou a Ilha Pai dias após o evento para avaliar os danos. Seu relato evidencia a gravidade da situação: encontrou uma paisagem devastada pela vegetação queimada, com pontos onde ainda havia fumaça sendo liberada.

"A situação é desoladora. Sobrou muito pouca coisa da ilha, e o que sobrou ainda estava pegando fogo; estava saindo muita fumaça de lá. É uma coisa que não vai se regenerar tão cedo", afirmou Oberlander, destacando a dificuldade e o tempo necessário para a recuperação natural da área.

Planos de recuperação e monitoramento ambiental

O Inea anunciou que realizará novas visitas técnicas com pesquisadores especializados para aprofundar a avaliação dos impactos ambientais e definir as melhores estratégias de recuperação. Essas avaliações incluem análise sobre possíveis ações de reintrodução de espécies de fauna e flora nativas da região. O órgão também solicitou apoio da aeronave do Corpo de Bombeiros para auxiliar no monitoramento contínuo da área afetada.

É importante destacar que o Inea alertou contra intervenções não autorizadas, como plantios de mudas sem supervisão técnica, pois estas podem comprometer a regeneração natural da vegetação e causar novos impactos ao ecossistema já fragilizado.

Reforço em fiscalização e educação ambiental

Além das ações de recuperação, o Inea pretende intensificar atividades de fiscalização e educação ambiental junto aos pescadores locais. Em parceria com o Corpo de Bombeiros, será realizado treinamento especializado em combate a incêndios em ilhas e áreas de difícil acesso, preparando melhor os profissionais para futuras emergências.

Condições climáticas favorecem propagação de queimadas

Segundo o biólogo Bruno Meurer, as condições climáticas dos últimos dias contribuem significativamente para a propagação das chamas. A região passa por um período de baixa umidade relativa do ar e estiagem prolongada, com mais de 15 dias sem chuva em algumas localidades.

"Esse período mais seco favorece as queimadas. A vegetação seca acaba colaborando para a dispersão das chamas, e o controle fica mais complicado. Qualquer ponta de cigarro, qualquer faísca, pode provocar um incêndio", alertou o especialista. Meurer enfatiza a importância de campanhas educativas nas escolas e junto à população, alertando que até objetos simples como cacos de vidro expostos à luz solar podem gerar chamas e iniciar incêndios perigosos.

Incêndio causado por balão no Costão de Itacoatiara

O segundo incêndio, ocorrido no Costão de Itacoatiara no Parque Estadual da Serra da Tiririca, foi provocado pela queda de um balão. O Corpo de Bombeiros e o Inea mobilizaram equipes para apagar as chamas, utilizando inclusive uma aeronave no combate ao fogo. As autoridades ainda apuram a extensão total da área afetada por este segundo episódio em menos de uma semana na região.

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