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Rosa Perdigão: Luto pela Morte de Ícone das Baianas de Acarajé e Defensora da Cultura Afro-Brasileira

by Guilherme Salles

Morte de Rosa Perdigão marca perda de referência cultural no Rio de Janeiro

Faleceu Rosa Perdigão, uma das principais lideranças das baianas de acarajé no Estado do Rio de Janeiro e figura emblemática na preservação e valorização desse ofício milenar, oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso inabalável com a defesa das tradições de matriz africana, com a religiosidade do candomblé e com a promoção dos direitos das profissionais que mantêm viva essa ancestral profissão.

Dedicada integralmente à valorização da cultura afro-brasileira, Rosa Perdigão construiu uma carreira que transcendeu os limites da gastronomia tradicional, consolidando-se como voz ativa e respeitada na luta pelos direitos e reconhecimento das baianas de acarajé. Sua morte foi oficialmente lamentada por entidades de grande relevância nacional, como a Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares (ABAM Nacional), pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e pelo Ministério da Igualdade Racial, demonstrando a amplitude de seu impacto cultural e social.

Trajetória de Liderança e Fundação da ABAM Rio

De acordo com informações da ABAM Nacional, Rosa participou ativamente da fundação da ABAM Rio em 2011, momento crucial para a organização das baianas cariocas. Seu engajamento na instituição começou como associada, mas rapidamente evoluiu para posições de maior responsabilidade. Com o tempo, assumiu a coordenação estadual da entidade, tornando-se uma das principais e mais respeitadas vozes na defesa dos direitos dessas profissionais e na preservação contínua desse ofício tradicional.

Sua atuação na coordenação estadual foi fundamental para estruturar políticas de proteção, valorização e reconhecimento das baianas de acarajé em todo o território fluminense, sempre pautada pelo respeito à ancestralidade africana e aos saberes transmitidos através de gerações.

O Cheirinho de Dendê: Um Templo da Cultura Afro-Brasileira

À frente de seu estabelecimento, o Cheirinho de Dendê, Rosa transformou a região da Cinelândia em um ponto de encontro, afeto e celebração das tradições afro-brasileiras. Conforme destacou a Secretaria Municipal de Cultura do Rio em comunicado oficial nas redes sociais, o espaço converteu-se em uma autêntica referência na preservação da memória coletiva, dos saberes ancestrais e dos costumes enraizados na cultura de matriz africana.

O trabalho realizado por Rosa no Cheirinho de Dendê demonstrou que o ofício de baiana de acarajé transcende a simples gastronomia, funcionando como importante instrumento de preservação cultural, memória viva e reafirmação da identidade do povo brasileiro. Sua atuação ultrapassou amplamente as fronteiras comerciais, consolidando-se como legítima voz ativa na valorização da cultura de matriz africana e na luta pelo reconhecimento das baianas de acarajé como patrimônio vivo e dinâmico da cultura brasileira.

Reconhecimento do Ministério da Igualdade Racial

O Ministério da Igualdade Racial também divulgou nota oficial de pesar, definindo Rosa como importante liderança dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana. A pasta federal enfatizou que ela dedicou sua vida integralmente à preservação e valorização das tradições afro-brasileiras, transformando o ofício das baianas de acarajé em espaço legítimo de resistência, memória, identidade e afirmação da cultura africana.

Segundo a documentação ministerial, Rosa deixa um sólido legado na defesa dos saberes ancestrais, do patrimônio cultural brasileiro e dos direitos fundamentais das baianas de acarajé. A nota de pesar encerra-se com mensagem de solidariedade aos familiares, amigos, à ABAM, às baianas de acarajé de todo o país e à comunidade de terreiro, afirmando que sua memória continuará iluminando os caminhos da cultura e da ancestralidade brasileiras.

Legado Permanente na História da ABAM

A ABAM Nacional reafirmou que Rosa dedicou sua trajetória inteira à promoção do ofício das baianas de acarajé, atuando em diversos conselhos e espaços de representação sociocultural em defesa incessante dessa tradição milenar. Sua participação em instâncias de poder e representação foi fundamental para garantir visibilidade e proteção às profissionais do ramo.

Em comunicado oficial, a entidade expressa que a partida de Rosa Perdigão deixa uma imensa lacuna, mas seu legado permanecerá vivo na história institucional da ABAM, na memória das baianas que caminharam ao seu lado e em todos aqueles que tiveram o privilégio de vivenciar sua dedicação, generosidade e absoluto compromisso com a preservação da cultura afro-brasileira.

A causa específica de seu falecimento não foi informada pela família no momento do comunicado.

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