Morte de Rosa Perdigão marca perda de referência cultural no Rio de Janeiro
Faleceu Rosa Perdigão, uma das principais lideranças das baianas de acarajé no Estado do Rio de Janeiro e figura emblemática na preservação e valorização desse ofício milenar, oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso inabalável com a defesa das tradições de matriz africana, com a religiosidade do candomblé e com a promoção dos direitos das profissionais que mantêm viva essa ancestral profissão.
Dedicada integralmente à valorização da cultura afro-brasileira, Rosa Perdigão construiu uma carreira que transcendeu os limites da gastronomia tradicional, consolidando-se como voz ativa e respeitada na luta pelos direitos e reconhecimento das baianas de acarajé. Sua morte foi oficialmente lamentada por entidades de grande relevância nacional, como a Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares (ABAM Nacional), pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e pelo Ministério da Igualdade Racial, demonstrando a amplitude de seu impacto cultural e social.
Trajetória de Liderança e Fundação da ABAM Rio
De acordo com informações da ABAM Nacional, Rosa participou ativamente da fundação da ABAM Rio em 2011, momento crucial para a organização das baianas cariocas. Seu engajamento na instituição começou como associada, mas rapidamente evoluiu para posições de maior responsabilidade. Com o tempo, assumiu a coordenação estadual da entidade, tornando-se uma das principais e mais respeitadas vozes na defesa dos direitos dessas profissionais e na preservação contínua desse ofício tradicional.
Sua atuação na coordenação estadual foi fundamental para estruturar políticas de proteção, valorização e reconhecimento das baianas de acarajé em todo o território fluminense, sempre pautada pelo respeito à ancestralidade africana e aos saberes transmitidos através de gerações.
O Cheirinho de Dendê: Um Templo da Cultura Afro-Brasileira
À frente de seu estabelecimento, o Cheirinho de Dendê, Rosa transformou a região da Cinelândia em um ponto de encontro, afeto e celebração das tradições afro-brasileiras. Conforme destacou a Secretaria Municipal de Cultura do Rio em comunicado oficial nas redes sociais, o espaço converteu-se em uma autêntica referência na preservação da memória coletiva, dos saberes ancestrais e dos costumes enraizados na cultura de matriz africana.
O trabalho realizado por Rosa no Cheirinho de Dendê demonstrou que o ofício de baiana de acarajé transcende a simples gastronomia, funcionando como importante instrumento de preservação cultural, memória viva e reafirmação da identidade do povo brasileiro. Sua atuação ultrapassou amplamente as fronteiras comerciais, consolidando-se como legítima voz ativa na valorização da cultura de matriz africana e na luta pelo reconhecimento das baianas de acarajé como patrimônio vivo e dinâmico da cultura brasileira.
Reconhecimento do Ministério da Igualdade Racial
O Ministério da Igualdade Racial também divulgou nota oficial de pesar, definindo Rosa como importante liderança dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana. A pasta federal enfatizou que ela dedicou sua vida integralmente à preservação e valorização das tradições afro-brasileiras, transformando o ofício das baianas de acarajé em espaço legítimo de resistência, memória, identidade e afirmação da cultura africana.
Segundo a documentação ministerial, Rosa deixa um sólido legado na defesa dos saberes ancestrais, do patrimônio cultural brasileiro e dos direitos fundamentais das baianas de acarajé. A nota de pesar encerra-se com mensagem de solidariedade aos familiares, amigos, à ABAM, às baianas de acarajé de todo o país e à comunidade de terreiro, afirmando que sua memória continuará iluminando os caminhos da cultura e da ancestralidade brasileiras.
Legado Permanente na História da ABAM
A ABAM Nacional reafirmou que Rosa dedicou sua trajetória inteira à promoção do ofício das baianas de acarajé, atuando em diversos conselhos e espaços de representação sociocultural em defesa incessante dessa tradição milenar. Sua participação em instâncias de poder e representação foi fundamental para garantir visibilidade e proteção às profissionais do ramo.
Em comunicado oficial, a entidade expressa que a partida de Rosa Perdigão deixa uma imensa lacuna, mas seu legado permanecerá vivo na história institucional da ABAM, na memória das baianas que caminharam ao seu lado e em todos aqueles que tiveram o privilégio de vivenciar sua dedicação, generosidade e absoluto compromisso com a preservação da cultura afro-brasileira.
A causa específica de seu falecimento não foi informada pela família no momento do comunicado.
