Nas próximas semanas, a Lagoa Rodrigo de Freitas receberá um novo trecho de recuperação ambiental. O vereador Flávio Valle, em colaboração com o biólogo Mário Moscatelli e a paisagista Carolina Moscatelli, anunciou o início das fases 3 e 4 do projeto de naturalização da Lagoa, contando com o suporte da Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Conservação, da Subprefeitura da Zona Sul e da concessionária Águas do Rio.
A intervenção se iniciará no Parque dos Patins, onde será implementada uma área alagadiça temporária. Para isso, o terreno será rebaixado, criando um reservatório natural que armazenará água após as chuvas e servirá como refúgio para diversas espécies típicas de brejo.
Ao lado dessa nova área, o projeto também contempla a criação de um platô com vegetação de restinga. Entre as plantas que serão introduzidas estão feijão-da-praia, clúsia, aroeira, pitangueira e araçá. O objetivo é atrair aves e insetos benéficos, além de reforçar o corredor ecológico que começou a ser estabelecido com o plantio do manguezal nas margens da Lagoa.
Os idealizadores deste projeto afirmam que a iniciativa visa restaurar funções ecológicas que foram perdidas ao longo do tempo e aprimorar a relação entre a cidade e esse importante ecossistema. As soluções propostas são fundamentadas na natureza para lidar com problemas históricos como alagamentos e erosão das margens.
Mário Moscatelli compartilhou sua perspectiva sobre o progresso alcançado: “Após 37 anos dedicados à recuperação e proteção dos ecossistemas costeiros no Rio de Janeiro, onde passei de ‘doido’ a ‘visionário’, sinto-me gratificado por contribuir para a implementação do protocolo de naturalização em nossa cidade costeira. Isso é possível graças ao apoio de novos jovens políticos e empresas que perceberam que era insustentável manter a situação como estava. Temos muito trabalho pela frente, mas já demos os passos iniciais fundamentais.”
No Corte do Cantagalo, as intervenções serão mais abrangentes. A ciclovia passará por uma readequação para remover uma curva acentuada, aumentando assim a segurança dos usuários. Além disso, um lago será criado entre a nova ciclovia e a Lagoa, seguindo o modelo já utilizado no Parque dos Patins.
O entorno desse novo corpo d’água será enriquecido com vegetação de mangue, brejo e restinga. Essa ação tem como objetivo melhorar a drenagem local, aumentar a retenção das águas pluviais e oferecer refúgios para peixes, aves e invertebrados que habitam a fauna da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Essas obras dão continuidade às intervenções-piloto iniciadas em 2023. O grupo responsável pelo projeto informou que essas primeiras ações demonstraram que soluções naturais são eficazes na redução de alagamentos e na recuperação de áreas degradadas sem depender exclusivamente de obras duras de infraestrutura.
Um dos principais focos dessa recuperação é a reintrodução do Annona glabra, popularmente conhecido como araticum-do-brejo, nas margens inundáveis da Lagoa. Essa espécie está ausente na região há aproximadamente cem anos e sua reintegração simboliza tanto a recuperação ambiental quanto o resgate da paisagem original.
Flávio Valle destacou: “Enquanto era subprefeito em 2023, decidimos inovar ao invés de optar por grandes obras estruturais para enfrentar os constantes alagamentos; investimos em soluções baseadas na natureza. Junto ao biólogo Mário Moscatelli, conseguimos revitalizar a Lagoa após anos enfrentando problemas recorrentes. Hoje, ela se consolida não apenas como um dos símbolos do Rio mas também como um polo turístico e recreativo com maior biodiversidade e qualidade de vida para moradores e visitantes.”
A fase atual reforça uma abordagem que combina ciência, paisagismo e gestão pública. A meta é estabelecer a Lagoa Rodrigo de Freitas como um modelo em recuperação ambiental urbana, promovendo margens mais saudáveis, melhor drenagem e maior biodiversidade.
Em breve serão anunciadas as datas para plantios, iniciativas de educação ambiental e formas pelas quais a comunidade poderá participar nas atividades relacionadas ao projeto.



