Entre o período de 2016 a 2026, o estado do Rio de Janeiro registrou um total de 853.845 processos relacionados à violência doméstica e familiar contra mulheres, representando 13,2% de todos os processos judiciais do Brasil.
Um estudo inédito da plataforma Predictus, voltada para inteligência jurídica, destaca a gravidade da judicialização da violência doméstica no país, evidenciando o Rio como um dos principais centros desse tipo de ocorrência.
Com isso, o estado ocupa a segunda posição em número absoluto de processos, ficando atrás apenas de São Paulo.
Proporcionalmente, a taxa no Rio é alarmante: 4.879,1 processos para cada grupo de 100 mil habitantes. Esse índice não só reflete a prevalência da violência como também a eficácia das instituições em registrar e levar esses casos à Justiça.
O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) divulgou informações através do Núcleo de Promoção de Políticas Especiais de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar (Nupevid), referentes à 32ª edição da Semana da Justiça pela Paz em Casa, que ocorreu entre os dias 9 e 13 do mês corrente.
No intervalo dessa semana, foram realizados 4.491 atendimentos por meio de audiências, sentenças e medidas protetivas. O número mais expressivo foi registrado nas 1.760 sentenças proferidas em casos de violência contra mulheres no contexto familiar.
Adicionalmente, foram concedidas 1.163 decisões urgentes para proteger mulheres que enfrentavam ameaças dentro do lar.
Conforme informações do Observatório Judicial de Violência Contra a Mulher, o Tribunal já havia realizado 3.808 audiências sobre essa temática somente nos primeiros meses de 2026.
No mês de março deste ano, a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Cuidados lançou a quinta edição do Mapa da Mulher Carioca. Essa iniciativa ressalta uma questão fundamental: a luta contra a violência direcionada às mulheres no Rio de Janeiro e os caminhos que muitas têm seguido rumo à reconstrução por meio da educação e da autonomia econômica.
A ex-secretária Joyce Trindade enfatizou que “não é viável combater o feminicídio, a violência de gênero, a desigualdade e a pobreza sem um diagnóstico preciso”.



