Nova Política Migratória Colombiana: Linha-Dura Contra Imigração Irregular
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou esta semana operações coordenadas entre a autoridade migratória e a polícia para deportar migrantes em situação irregular no país. A decisão marca uma mudança significativa na política migratória colombiana e reflete a agenda conservadora do novo mandatário que assumiu o cargo em 7 de agosto de 2024.
De la Espriella, um político de direita conhecido por sua admiração pelo presidente americano Donald Trump, fundamenta sua abordagem no slogan “Primeiro, os colombianos”. Em um vídeo vazado de um conselho de segurança realizado em Barranquilla, cidade caribenha no norte do país, o presidente deixou clara sua posição sobre o tema.
As Instruções Presidenciais Sobre Deportações
Segundo as informações divulgadas, o chefe de Estado estabeleceu uma ordem de prioridades para as operações de deportação. A instrução à autoridade de imigração segue uma hierarquia clara: primeiramente, serão identificados e detidos imigrantes que cometeram crimes; em segundo lugar, aqueles que não possuem situação regularizada e que deverão ser deportados no curto prazo.
“A ordem à imigração é clara (…). Primeiro, os que estão cometendo crimes, segundo os que não têm sua situação regularizada e que, no curto prazo, terão que ser deportados”, afirmou o presidente na cidade onde estabeleceu uma sede presidencial alternativa à capital Bogotá. Espriella reforçou seu compromisso de forma enfática: “Não vou aceitar a imigração ilegal. Primeiro, os colombianos, segundo os colombianos e terceiro os colombianos, para que fique claro para todo mundo”.
O Contexto da Imigração Venezuelana
A Colômbia tornou-se, na última década, o principal destino de imigrantes venezuelanos que fugiram da crise econômica e política em seu país. Segundo dados das autoridades de imigração colombianas, até junho de 2024, aproximadamente 2,8 milhões de imigrantes venezuelanos residiam na Colômbia. Desses, mais de 527 mil encontram-se em situação irregular, representando um desafio significativo para as políticas públicas do país.
Historicamente, a direita colombiana promovia políticas de acolhida para a diáspora venezuelana, frequentemente combinadas com um forte discurso contra o regime chavista. Entretanto, a posição do presidente Espriella marca um desvio notável dessa tradição política.
Influência da Política Americana na Colômbia
A nova abordagem do presidente colombiano ecoa claramente a retórica do presidente americano Donald Trump, de quem Espriella é um fervoroso admirador. O mandatário colombiano fez coro ao slogan “Primeiro, os Colombianos”, que remete ao “America First” (Estados Unidos Primeiro) de Trump, demonstrando a influência da política migratória americana nas decisões internas colombianas.
“Deportados! É uma ordem presidencial que deve começar a ser cumprida esta mesma semana. Não vou aceitar imigrantes ilegais, de onde quer que venham”, declarou Espriella em tom incisivo. O presidente assumiu pessoalmente a responsabilidade pela medida: “É uma decisão política e eu a assumo. É uma decisão administrativa e eu a assumo”.
Contexto Histórico: Migração e Conflito na Colômbia
É importante ressaltar que a Colômbia, historicamente atravessada por seis décadas de conflito armado, não possui tradição consolidada de receber imigrantes em larga escala. Paradoxalmente, o país viu milhões de seus próprios cidadãos fugirem da violência e da pobreza para os Estados Unidos, Espanha e outros destinos internacionais.
A implementação dessas novas políticas de deportação ocorre em um momento delicado para o país. As operações começam logo após um terremoto devastador que deixou mais de 300 mortos, milhares de residências destruídas e regiões inteiras em situação de emergência. A agenda de linha-dura do presidente foi pausada em função dessa crise humanitária, mas agora retoma sua implementação com força total.
