Virada heroica marca retorno de Marcão
O Fluminense ressurgiu com uma virada memorável sobre o Palmeiras, líder do Campeonato Brasileiro, com placar de 3 a 2 conquistado nos acréscimos do segundo tempo. A partida, disputada no Maracanã, marcou a nova estreia de Marcão no comando técnico do tricolor carioca, logo após a demissão do treinador Luis Zubeldía pela equipe paulista. O resultado representa muito mais que três pontos em jogo: traz ares de recomeço auspicioso para um time que enfrenta uma decisão crucial pela Libertadores na terça-feira seguinte contra o Independiente Rivadavia.
A performance do Fluminense nesta tarde demonstrou mudança significativa de atitude e disposição, elementos que transcendem qualquer ajuste tático implementado pelo novo comando. O tricolor resistiu aos sustos iniciais, mostrou resiliência diante de um líder que não conseguiu aproveitar seu potencial ofensivo, e terminou soberano com volume ofensivo crescente ao longo dos 90 minutos. Germán Cano, ídolo da torcida, marcou o primeiro gol e foi responsável por levar o Maracanã à loucura, oferecendo esperança renovada após período de lesões que o manteve afastado dos campos.
Começo desfavorável superado com reação corajosa
A impressão inicial da partida foi deveras desfavorável para os interesses do Fluminense. O Palmeiras entrou em campo com domínio claro, e aos nove minutos, Gustavo Gómez abriu o placar com um cabeceio firme após escanteio cobrado por Piquerez. A equipe paulista controlava o jogo e criava oportunidades perigosas, com Flaco López e Allan forçando boas defesas do goleiro Fábio nos primeiros minutos de confronto.
Contudo, assim como ocorreu em outros compromissos recentes, o Palmeiras reduziu sua produtividade ofensiva e criou espaço para reação tricolor. Ainda no primeiro tempo, o Fluminense conseguiu finalizar mais vezes que o adversário, nove contra oito, demonstrando capacidade de tranquilizar o confronto mesmo estando em desvantagem. Hulk empatou o placar de forma eficiente, adiantando-se a Murilo para completar o cruzamento de Canobbio pelo lado, enquanto Ganso ainda mandou um chute que roçou a trave.
Segundo tempo de dramaticidade e emoção
O segundo tempo continuou mostrando um Fluminense ofensivo, com chutes perigosos de Hulk e Soteldo. Este último obrigou Carlos Miguel, goleiro do Palmeiras, a fazer uma defesa de mão trocada. As alterações realizadas pelo técnico Abel Ferreira fizeram o alviverde crescer novamente, ocupando o campo de ataque com mais intensidade. Numa falha de cobertura no setor direito, Mauricio recebeu casquinha de Flaco López e bateu na saída de Fábio, colocando o Palmeiras novamente em vantagem.
O que poderia significar um baque definitivo para o tricolor transformou-se em faísca para um final eletrizante. Cano, que havia entrado no meio do segundo tempo, cabeceou na trave após cruzamento de Guga, e Serna, outra alteração de Marcão, empurrou para as redes. Aos 46 minutos do segundo tempo, Martinelli lançou para Guga, que devolveu o cruzamento para o volante cabecear. No meio do caminho, o argentino desviou, completando uma virada que eternizaria este confronto nos anais do clube.
Confiança restaurada antes da Libertadores
O resultado interrompe uma incômoda sequência de oito jogos sem vitórias, ocorrida justamente antes da decisão na Libertadores contra o Independiente Rivadavia. Após um empate sem gols no Maracanã, a equipe precisa vencer na Argentina nesta terça-feira para seguir às quartas de final ou garantir outra igualdade e resolver a vaga nos pênaltis. Com esta vitória, o Fluminense chegou aos 38 pontos e se assegurou na quarta posição do Campeonato Brasileiro, com o próximo compromisso marcado contra o Remo, em casa, às 16h de sábado.
A atuação de Marcão, utilizando referências como Cano e Ganso em campo e contando com Thiago Silva como auxiliar improvisado no banco, evidencia o conhecimento do técnico sobre a identidade do clube. O abraço coletivo ao treinador no apito final representa a união restaurada, elemento fundamental para enfrentar os desafios que se aproximam. Para Cano, tratava-se de retorno significativo após lesões que marcaram sua temporada, enquanto para o clube, a virada representa recuperação de confiança em momento crítico.
