Investigação revela esquema de extorsão eleitoral no Ceará
Uma operação de grande envergadura foi realizada em Sobral, no Ceará, nesta terça-feira, resultando na prisão de três vereadores suspeitos de manter ligações com o Comando Vermelho (CV). Os parlamentares detidos são Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Podemos) e Mario Vicktor (União), todos acusados de envolvimento com a facção criminosa durante as eleições municipais.
O esquema de extorsão eleitoral
De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público Eleitoral, a facção cobrava um “pedágio” de aproximadamente R$ 60 mil dos candidatos para permitir o acesso a determinados bairros da cidade durante a campanha eleitoral. Além dessa cobrança extorsiva, o grupo utilizava coação e ameaças para manipular as escolhas políticas dos eleitores, interferindo diretamente no processo democrático.
Este esquema afetou não apenas as eleições municipais de 2024, mas também se estendeu ao pleito deste ano, demonstrando a sistemática tentativa de controle territorial e político exercida pela organização criminosa na região.
Amplitude da operação e mandados cumpridos
A Operação Omertá, como foi batizada, é uma ação conjunta coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo Ministério Público Eleitoral através da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL). Durante a execução, foram cumpridos 14 mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão contra os suspeitos envolvidos.
Além dos três vereadores, a operação também resultou na prisão de um assessor jurídico da Câmara Municipal e de integrantes da facção criminosa. Uma policial militar e demais agentes públicos foram afastados de suas funções por um período de 180 dias como medida preventiva. Durante as buscas, foram apreendidos aparelhos celulares, dinheiro em espécie e diversos documentos que servem como evidência da atividade criminosa.
Histórico financeiro dos vereadores
Os registros de patrimônio dos vereadores envolvidos revelam variações significativas em suas declarações de bens. Carlos do Calisto, que atua como vereador desde 2012, declarou bens no valor de R$ 1.625.187,28 inicialmente, valor que aumentou expressivamente para R$ 6.169.328,80. Junim do Povo, eleito na última eleição municipal após ter sido suplente pelo PT em 2020, nunca declarou bens ao Tribunal Superior Eleitoral. Mario Vicktor, em seu segundo mandato, viu seu patrimônio declarado aumentar de R$ 6 mil para R$ 259 mil.
Possíveis acusações e consequências legais
Os investigados podem responder por diversos crimes, incluindo integração em organização criminosa, domínio social estruturado, extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção e impedimento do exercício de propaganda eleitoral. Caso condenados, as penas poderão ser severas, refletindo a gravidade das acusações.
Significado da Operação Omertá
O termo ‘Omertá’ que denomina a operação refere-se ao código de honra e silêncio da máfia italiana, um juramento que proíbe qualquer cooperação ou comunicação com as autoridades policiais e judiciais. Na cultura do crime organizado, quebrar esse juramento é considerado uma traição grave, cujo preço historicamente é a morte. A escolha do nome pela força-tarefa representa uma mensagem simbólica sobre a natureza da investigação e o tipo de estrutura criminosa enfrentada.
A Câmara Municipal de Sobral foi ordenada a fornecer ao Ministério Público Eleitoral uma lista completa de todos os ocupantes de cargos comissionados, de confiança e temporários, indicando suas atribuições, carga horária e se houve análise de antecedentes criminais antes ou após suas nomeações. Até o momento, os vereadores não se posicionaram sobre as acusações.
