Home NotíciasSimeone revela pressão crescente após 15 anos no Atlético de Madrid: ‘Vencer era alegria, agora é alívio’

Simeone revela pressão crescente após 15 anos no Atlético de Madrid: ‘Vencer era alegria, agora é alívio’

by Guilherme Salles

Simeone reflete sobre sua trajetória no Atlético de Madrid

Próximo de completar 15 anos à frente do Atlético de Madrid, o técnico Diego Simeone concedeu uma entrevista exclusiva à revista France Football, onde compartilhou reflexões profundas sobre sua evolução como treinador e as transformações que acompanharam sua jornada no clube espanhol. A conversa revelou um Simeone mais introspectivo, pensando não apenas em conquistas futuras, mas na sustentabilidade emocional de sua carreira.

A pressão crescente ao longo dos anos

Um dos pontos mais destacados da entrevista foi a análise de como a pressão evoluiu durante sua permanência no clube. Simeone iniciou sua trajetória em dezembro de 2011 e, desde então, transformou o clube em uma potência europeia. No entanto, essa ascensão trouxe consigo um peso significativo que o técnico sente cada vez mais intensamente.

“Todo o peso que sinto agora, depois de quinze anos neste clube, não senti durante as três ou quatro primeiras temporadas. Eu era livre, relaxado, feliz com cada jogo que ganhávamos”, declarou o treinador. Essa mudança de mentalidade reflete a transformação do próprio clube, que saiu de uma posição secundária para se tornar uma força respeitada na Europa.

Simeone continuou sua análise com uma frase que sintetiza perfeitamente essa evolução: “Antes, vencer era uma alegria; hoje, vencer é um alívio”. Essa transição demonstra como o sucesso pode mudar a perspectiva sobre as vitórias, transformando celebrações em alívios de pressão.

A importância da reinvenção constante

Questionado sobre sua capacidade de manter-se relevante por tanto tempo no mesmo clube, Simeone enfatizou que a reinvenção contínua é essencial. “Claro, a gente se readapta e se reinventa; é preciso ficar no mesmo lugar por tantos anos”, explicou. O técnico também mencionou a necessidade de reconstruir o time em diversas ocasiões, adaptando-se às qualidades dos novos jogadores que chegavam ao clube.

Essa flexibilidade tem sido fundamental para o Atlético de Madrid manter seu status de concorrente europeu mesmo diante das mudanças no elenco e das dinâmicas de mercado.

Buscando equilíbrio e temperança

Reconhecido mundialmente por suas explosões apaixonadas na beira do gramado, Simeone revelou estar trabalhando para cultivar uma postura mais calma. Aos 56 anos, o técnico é consciente das diferenças entre sua versão atual e a de quando chegou ao Atlético de Madrid, aos 41 anos.

“Não sou a mesma pessoa aos 56 anos que era aos 41, e estou começando a entender que, em algum momento, você precisa aproveitar a semana, o dia, curtir o momento que está vivendo”, refletiu Simeone. Ele prosseguiu com uma perspectiva filosófica: “Porque, no fim das contas, estamos imersos no futebol, mas a vida é maior do que o futebol”.

O técnico expressa seu desejo de ser mais calmo: “Gostaria de ser mais calmo do que pareço, e estou trabalhando nisso, mesmo que não seja visível”. Com uma pitada de humor, Simeone revelou sua intensidade: “Quando estou no banco, uma bomba poderia explodir a duzentos metros do estádio e eu não ouviria”.

Objetivos para a próxima temporada

Simeone também abordou as prioridades do Atlético de Madrid para o futuro próximo. A solidez defensiva é um foco particular, especialmente após o desempenho defensivo aquém das expectativas na temporada anterior da Liga dos Campeões. “Gostaria que recuperássemos a solidez defensiva que perdemos, porque na temporada passada, especialmente na Liga dos Campeões, tivemos estatísticas muito ruins nesse quesito”, reconheceu.

Apesar dessas dificuldades defensivas, o Atlético chegou às semifinais da competição continental, demonstrando uma qualidade ofensiva compensatória. Simeone também identificou como objetivo secundário aumentar a produção goleadora de seus meio-campistas.

Sem buscar recordes históricos

Quando questionado sobre a possibilidade de alcançar recordes de grandes treinadores como Arsène Wenger no Arsenal ou Sir Alex Ferguson no Manchester United, Simeone foi claro ao afirmar que esse não é seu foco. “Não estou buscando o recorde de Wenger, Ferguson ou de qualquer outra pessoa; não é isso que me motiva”, declarou.

Em vez disso, o técnico prioriza outros valores: “Estou pensando apenas na energia, força e humildade que preciso ter para estar aqui”. Essa perspectiva revela um Simeone mais maduro, focado na qualidade de seu trabalho e na sustentabilidade de sua carreira, em vez de na busca por registros históricos.

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