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Ministro da Fazenda atribui alta da dívida pública aos juros, não ao resultado do governo

by Guilherme Salles

Dario Durigan nega responsabilidade fiscal pela escalada do endividamento público

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou que o resultado das contas do governo desde 2024 não é responsável pelo aumento da dívida pública brasileira. Segundo o ministro, o principal culpado pela escalada do endividamento são os juros elevados da economia. A declaração foi feita um dia após o Banco Central reduzir a Taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano.

Em entrevista à GloboNews, Durigan citou como exemplo a melhora da nota soberana do país nas agências de classificação de risco, argumentando que isso demonstra a solidez das contas públicas. Para o ministro, o desafio está na gestão da dívida devido aos juros necessários para remunerar investidores, especialmente considerando que o Orçamento está contido, inclusive com um bloqueio de despesas de aproximadamente R$ 17 bilhões em ano eleitoral.

Dívida pública atinge 81,9% do PIB em junho de 2026

Dados divulgados pelo Banco Central revelam que a dívida bruta do setor público brasileiro atingiu 81,9% do PIB em junho, totalizando R$ 10,8 trilhões. Isso representa um aumento de 0,9 ponto percentual em relação a maio e marca o maior nível desde abril de 2021, durante o auge da pandemia da Covid-19, quando o endividamento chegou a 82,6% do PIB.

Esse indicador é um dos principais observados pelos investidores na avaliação da saúde econômica do país. Especialistas têm enfatizado a necessidade de conter a trajetória da dívida para melhorar o ambiente econômico brasileiro.

Escalada do endividamento durante o terceiro mandato de Lula

A dívida pública subiu 10,2 pontos percentuais durante o terceiro mandato do governo Lula, que iniciou com um passivo de 71,7% do PIB ao final de 2022. Com essa alta nos últimos anos, o endividamento público retorna aos patamares da pandemia, quando atingiu seu recorde histórico de 87,7% do PIB em dezembro de 2020.

Quando considerado o critério nominal, que soma o resultado primário com pagamento de juros da dívida pública, há um déficit acumulado em doze meses de R$ 1,317 trilhão, equivalente a 9,99% do PIB, com aumento de 0,38 ponto percentual em relação ao mês anterior.

O desafio dos juros afeta governo, famílias e empresas

De acordo com Durigan, o desafio não é exclusivo do governo, mas também atinge famílias e empresas que sofrem com os juros elevados. O ministro destacou que a discussão para o futuro deve focar na rolagem da dívida, argumentando que não há descontrole fiscal, mas sim um desafio específico em endereçar a questão dos juros para diminuir o endividamento.

Durigan enfatizou que a variável sob controle do governo é em grande medida a política fiscal, ressaltando seu compromisso em melhorar esse aspecto. O ministro reconheceu preocupação com a trajetória da dívida e afirmou ser necessário trabalhar para diminuir juros através de esforço fiscal, lembrando que o mundo inteiro está pressionado com inflação e política monetária agressiva.

Garantias sobre pagamento da dívida

Quando questionado sobre possíveis riscos, Durigan garantiu que não há nenhum risco de o Tesouro não pagar sua dívida atualmente. Ele também ressaltou que a elevação recente da Selic não esteve necessariamente vinculada ao aspecto fiscal.

Futuras medidas e debate pós-eleições

Questionado sobre medidas concretas para conter despesas públicas, juros e endividamento, Durigan não forneceu detalhes específicos. O ministro afirmou que não está em discussão o aumento real do salário mínimo e que não debate sobre a desvinculação do mínimo no pagamento de benefícios previdenciários no momento atual.

Durigan indicou que uma série de cenários deve ser discutida com o presidente após o período eleitoral, reconhecendo que os desafios continuam existindo, seja na relação internacional ou em medidas concretas que devem ser implementadas no futuro. O ministro negou veementemente qualquer intenção do governo de controlar capitais.

Orçamento estruturalmente melhor para 2027

O ministro afirmou que o governo deixará um Orçamento para 2027 estruturalmente melhor, criticando a gestão anterior que, segundo ele, deixou uma peça orçamentária com pendências em 2022. Durigan ressaltou que naquele ano também havia fatores externos como guerra afetando preços de petróleo, com inflação chegando a dois dígitos, diferente do cenário atual com inflação em 4,60%, próxima do teto da meta estabelecida.

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