Bradesco não deve aderir ao programa Desenrola Adimplentes
O presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, descartou nesta quinta-feira a possibilidade de o banco ingressar no programa governamental Desenrola Adimplentes. A modalidade foi criada para atender consumidores que mantêm suas contas em dia, mas comprometem uma parcela significativa de sua renda com dívidas. O programa tem como foco principal os trabalhadores informais, que enfrentam dificuldades para acessar linhas de crédito mais baratas, como o consignado CLT.
Conforme explicou Noronha, a decisão reflete as características específicas do programa e os desafios operacionais enfrentados pelas instituições financeiras. O executivo citou a dificuldade em identificar a renda de pessoas com elevado grau de informalidade como um dos principais obstáculos para a participação do Bradesco.
Foco do Bradesco no programa Move Brasil
Apesar de não participar do Desenrola Adimplentes, o Bradesco continua investindo esforços no programa Move Brasil, conforme afirmou o CEO. Mesmo reconhecendo desafios comuns a todas as instituições privadas do setor bancário, o banco permanece comprometido em expandir sua atuação nessa iniciativa governamental.
Bradesco se posiciona como vítima no caso da fraude da Americanas
Noronha também se pronunciou sobre o escândalo envolvendo fraudes bilionárias na Americanas, posicionando o Bradesco como vítima da situação. Em junho, a Polícia Federal executou mandados de busca e apreensão relacionados à Operação Disclosure, tendo como alvo Carlos Henrique Villela Pedras, diretor executivo do banco.
O executivo enfatizou que a atuação do Bradesco no caso se caracterizou pela colaboração irrestrita com as autoridades competentes, visando desvendar a complexidade do problema. Noronha solicitou que o trabalho da Justiça e da Polícia Federal prossiga sem interferências, destacando que o banco agiu como colaborador e não como responsável pelas fraudes detectadas.
Resultados financeiros impressionam no segundo trimestre de 2026
O Bradesco anunciou lucro recorde de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, representando um crescimento de 16,2% comparado ao mesmo período do ano anterior e 3,5% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Esse resultado superou as estimativas do mercado, que apontava ganhos de aproximadamente R$ 6,9 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 16,2%, comparado aos 14,6% registrados um ano antes. Esse indicador mensura a capacidade da instituição em gerar valor utilizando seus próprios recursos financeiros.
Expansão da carteira de crédito e margem financeira
A carteira de crédito expandida somou R$ 1,1 trilhão, apresentando crescimento de 11,6% nos últimos doze meses e 4,3% no trimestre analisado. A margem financeira total avançou 15,7% no mesmo período, atingindo R$ 20,87 bilhões, reforçando a solidez operacional do banco.
A inadimplência subiu modestamente em 0,2 ponto percentual durante o ano, alcançando 4,3%, movimento que se mantém dentro das projeções estabelecidas pelo banco e considerado normal para o setor.
Perspectivas otimistas no cenário econômico externo
Noronha demonstrou maior otimismo em relação ao cenário econômico global comparado a outros agentes de mercado, apesar da volatilidade provocada pelos juros elevados nos Estados Unidos e incertezas geopolíticas, incluindo a situação entre Estados Unidos e Irã.
O executivo expressou confiança de que, independentemente dos resultados eleitorais, haverá uma apresentação clara sobre as políticas fiscais para os próximos quatro anos, o que pode contribuir para reduzir incertezas econômicas.
Impacto esperado do período eleitoral na demanda
Conforme previsto por Noronha, o período eleitoral deve provocar uma retração natural no mercado, com redução esperada na demanda durante as semanas de campanha e votação. O banco antecipa variações na demanda que diferem do desempenho robusto observado no primeiro semestre de 2026.
As expectativas iniciais de um mercado de equities mais dinâmico não se concretizaram como planejado, devido à resiliência das taxas de juros. O executivo ressaltou a necessidade de acompanhamento dinâmico desses indicadores durante o processo eleitoral.
Aumento de capital e sinais de confiança dos acionistas
No final de julho, o Bradesco divulgou um aumento de capital de R$ 10 bilhões através da subscrição de novas ações, acompanhado do pagamento antecipado de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 6,5 bilhões.
Noronha interpretou essas decisões dos acionistas controladores como sinais inequívocos de confiança na estratégia institucional do banco e em toda a equipe administrativa. Segundo o CEO, o aumento de capital fornece maior resiliência para crescimento futuro e reforça o patrimônio tangível da instituição, consolidando sua posição de liderança no mercado financeiro brasileiro.
