Distribuição de tempo de propaganda eleitoral na campanha para governador do Rio
A confirmação da neutralidade da federação União-PP no Rio de Janeiro marca um ponto de inflexão nas eleições para governador do estado. Com essa decisão, o PL terá uma chapa exclusivamente formada por seus filiados no que é considerado um dos principais redutos do bolsonarismo e estado natal do presidenciável Flávio Bolsonaro.
A mudança na composição da chapa bolsonarista trouxe alterações significativas. Carlos Jordy, deputado federal pelo PL, assume o posto que seria do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, do União, que desistiu da disputa ao Senado. Na vice-governança, a vereadora de Niterói Fernanda Louback acompanhará Douglas Ruas na chapa para o cargo máximo do estado.
Impacto da neutralidade no tempo de propaganda
A decisão de manter a federação União-PP neutra alinha-se com a posição nacional dos mesmos partidos. Essa neutralidade representa um golpe significativo na campanha de Ruas, que ficará com menos da metade do tempo de propaganda eleitoral em TV e rádio comparado ao seu principal concorrente.
Eduardo Paes, presidente da Assembleia Legislativa e liderança nas pesquisas, terá acesso a aproximadamente 4 minutos e 56 segundos de cada bloco de 9 minutos disponíveis para propaganda. Já Douglas Ruas, apoiado pelo PL e pelo Avante, contará com apenas 2 minutos e 21 segundos de cada mesmo bloco, configurando uma desvantagem substancial na campanha.
Cálculo do tempo de propaganda
A projeção de tempo de TV e rádio foi realizada pelo GLOBO com base nas regras legais que regem as campanhas eleitorais no Brasil. Os números consideram as alianças políticas formadas atualmente. Ainda não foi divulgado o tempo exato de cada candidato, já que o período de registro de candidaturas permanece vigente, podendo haver ajustes antes da definição final.
Negociações em Brasília que levaram à neutralidade
A costura política para viabilizar essa neutralidade foi construída em Brasília através de conversas entre Eduardo Paes e quadros do PP, particularmente com o presidente estadual Dr. Luizinho. Os primeiros sinais do rompimento entre a chapa de Ruas e o PP ocorreram há aproximadamente duas semanas, marcados pela desistência do ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, que era vice na chapa.
Luizinho, enquanto deputado federal, alimenta aspirações pela presidência da Câmara dos Deputados. O PL atribui seus movimentos recentes à tentativa de posicionar-se como candidato do eventual novo governo Lula para a disputa da presidência da Câmara que ocorrerá no início do ano seguinte. Contudo, essa análise enfrenta questionamentos, considerando que Hugo Motta, do Republicanos de Pernambuco, ainda mantém direito de reeleição.
O papel de Ciro Nogueira e as articulações nacionais
O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, havia perdido credibilidade junto ao petismo desde sua passagem como ministro durante o governo Jair Bolsonaro. Por essa razão, coube a Luizinho protagonizar as conversas nacionais que resultaram na decisão do partido de manter-se fora da aliança de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Dentro do PL fluminense, há insatisfação com a ausência de gestos significativos de Flávio em prol de uma aliança mais sólida e consistente no estado que historicamente catapultou a família Bolsonaro à política nacional.
Série de reveses na chapa da direita
Pouco mais de cinco meses separam o anúncio oficial da chapa da direita para as eleições do Rio e a confirmação do isolamento político, oficializado recentemente. A fotografia inicial exibia Flávio Bolsonaro, Douglas Ruas, Márcio Canella, Rogério Lisboa e o ex-governador Cláudio Castro, todos com intenções de participação nas eleições.
Cláudio Castro foi o primeiro a deixar a chapa. No final de março, renunciou ao cargo antes de sofrer cassação imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral, que o condenou no caso Ceperj. Posteriormente, passou por duas operações da Polícia Federal investigando a Refit e o Banco Master. Considerado inelegível e politicamente inviável pelo partido, desistiu da candidatura. O PL confirmou Carlos Portinho como seu substituto na disputa pelo Senado.
Rogério Lisboa foi o segundo a abandonar a chapa. Próximo a Eduardo Paes, havia aderido ao projeto mais por obrigação partidária do que por convicção pessoal. A situação agravou-se com a operação da Polícia Federal contra Márcio Canella, investigando suposta lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustível. O político foi preso em flagrante ao ter um fuzil encontrado em seu veículo, mas posteriormente foi liberado, consolidando a crise na composição da chapa governista.
