Itaú renegocia R$ 1,1 bilhão no Desenrola 2
O Itaú, maior banco privado do Brasil, alcançou resultados expressivos no programa Desenrola 2, iniciativa do governo federal criada para facilitar a renegociação de dívidas em atraso. A instituição renegociou um total de R$ 1,1 bilhão em débitos e atendeu 371 mil clientes por meio do programa, conquistando uma participação de 12% no Desenrola 2.
Segundo Milton Maluhy, presidente do Itaú, o programa oferece condições atrativas aos devedores, incluindo descontos de até 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e a possibilidade de utilizar parte do saldo do FGTS para quitar os débitos. Apesar do volume de operações, o executivo classificou o impacto nos indicadores financeiros do banco como “absolutamente imaterial”, com apenas 0,02% de influência nos índices de atraso da instituição.
Formato do programa gera maior adesão
Maluhy avaliou o Desenrola 2 como bem-sucedido, destacando que o formato e as condições geraram uma adesão superior às edições anteriores do programa. O programa funcionou como um canal de comunicação efetivo, atraindo não apenas clientes elegíveis ao Desenrola, mas também aqueles que aproveitaram a oportunidade para debater e renegociar suas dívidas com a instituição.
Iniciado em maio de 2024, o programa destina-se principalmente a famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos. Podem ser renegociados débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contraídos até 31 de janeiro de 2024, com atraso entre 90 dias e 2 anos. O governo estendeu o prazo de participação até 31 de agosto.
Co-construção com o governo
Maluhy ressaltou que o programa não foi apenas adotado pelo banco, mas co-construído com o Ministério da Fazenda, contando com a colaboração do sistema financeiro e outros ministérios. Essa abordagem colaborativa foi fundamental para garantir o sucesso da iniciativa desde seu lançamento.
Reabsorção e reintegração financeira
Gabriel Amado de Moura, diretor de finanças (CFO) do Itaú, afirmou que essas iniciativas cumprem um papel fundamental de reabsorção e reintegração financeira dos clientes. No entanto, ressaltou que uma carteira de crédito saudável não se constrói na renegociação, mas sim na qualidade da concessão, na precificação correta do risco e no acompanhamento das necessidades dos clientes.
Desenrola Adimplentes e outras iniciativas
Sobre o Desenrola Adimplentes, programa federal voltado para trocar dívidas caras por outras com juros mais baixos, Maluhy esclareceu que, apesar do nome, não é exclusivamente para clientes em dia. O programa também captura clientes com atraso curto, de até 89 dias, e o Itaú está acompanhando atentamente para avaliar oportunidades de atendimento.
Quanto ao Move Brasil, programa de financiamento de automóveis para taxistas e motoristas de aplicativos, Maluhy revelou que o banco ainda está em fase de avaliação. Existe um processo de debates internos e co-construção com o governo, enquanto o banco realiza cálculos para entender o impacto, o potencial de mercado e a demanda real entre seus clientes.
Resultados financeiros sólidos no segundo trimestre
No segundo trimestre de 2024, o Itaú registrou um lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões, representando uma alta de 1% em relação ao trimestre anterior e de 7,8% comparado ao mesmo período de 2023. O Retorno sobre o Patrimônio (ROE) atingiu 24,3%, mantendo-se em um patamar elevado, apesar de uma leve queda de 0,5 ponto percentual.
A carteira total de crédito do banco alcançou R$ 1,5 trilhão, crescendo 2,7% no trimestre e 9,6% em doze meses. No segmento de pessoas físicas, destacaram-se os crescimentos em crédito imobiliário (3,9%), consignado (3,5%) e consignado privado (14,3%). O índice de inadimplência permaneceu estável em 1,9%, refletindo uma estratégia prudente de concessão de crédito.
Inteligência artificial integrada ao superaplicativo
O Itaú também lançou sua inteligência artificial proprietária ia.i, integrada ao superaplicativo da instituição. A ferramenta foi desenvolvida para auxiliar a decisão financeira dos clientes com contexto e profundidade, funcionando como um assessor que conhece o cliente e se antecipa às suas necessidades.
Maluhy destacou que o banco está migrando de uma lógica de “hiperpersonalização em escala” para a “individualização da experiência”, criando jornadas únicas para cada cliente baseadas em seu histórico e momento de vida específico. O objetivo é transformar a percepção do Itaú de um “banco transacional” para um “banco consultivo”, onde os clientes possam conversar e tirar dúvidas em um ambiente seguro.
