Home NotíciasEspecialista critica falhas operacionais nas linhas de trem de SP: ‘Erro de manutenção é indesculpável’

Especialista critica falhas operacionais nas linhas de trem de SP: ‘Erro de manutenção é indesculpável’

by Guilherme Salles

Crítica de especialista sobre os problemas nas linhas da Trivia Trens

Um dos mais destacados especialistas em mobilidade urbana do Brasil, o engenheiro Sérgio Ejzenberg, avaliou a sequência de falhas registradas nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade nos primeiros dias de operação da Trivia Trens em São Paulo como um indicativo de possíveis problemas operacionais ou de manutenção. Segundo o especialista, este tipo de ocorrência levanta questionamentos críticos sobre o processo de transição da concessão do serviço e reforça a importância fundamental da fiscalização exercida pelo poder público.

Embora reconheça que ainda seja cedo para atribuir responsabilidades definitivas, Ejzenberg destacou que a intervenção rápida do governo estadual e a retomada da operação pela CPTM indicam como as autoridades tratam o episódio com seriedade. Para o especialista, caso sejam descartadas hipóteses externas, como vandalismo ou sabotagem, a concessionária terá de explicar detalhadamente o que ocorreu, pois erros desse tipo são considerados indesculpáveis em sistemas de transporte de alta capacidade.

Os eventos críticos dos primeiros dias de operação

Na quinta-feira em que os problemas se intensificaram, passageiros caminharam pelos trilhos na região do Brás, localizada na Zona Central da cidade, e um trem pegou fogo. Esta sequência de eventos levou o governo paulista a determinar a retomada da operação das linhas pela CPTM, empresa estatal que mantém expertise no setor. Os problemas ocorreram em menos de 72 horas após a Trivia assumir o serviço de transporte ferroviário.

A Trivia Trens, empresa criada especificamente para operar a concessão e controlada pelo Grupo Comporte em parceria com a fabricante chinesa CRRC, assumiu as linhas em 21 de julho de 2025, após vencer o leilão realizado pelo governo estadual. O contrato de concessão prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões ao longo de 25 anos, incluindo a ampliação da rede ferroviária, a modernização das estações e a aquisição de novas composições.

Análise das causas e responsabilidades operacionais

As causas exatas das ocorrências ainda estão sendo investigadas pelas autoridades competentes. Segundo a concessionária, uma falha no fornecimento de energia na região do Brás interrompeu a circulação dos trens durante o horário de pico matinal, causando transtornos significativos aos usuários do sistema.

Para Ejzenberg, os primeiros 72 horas de operação desastrosa precisam ser explicados adequadamente pelo concessionário. O especialista ressalta que sistemas ferroviários de máxima capacidade não admitem interrupções dessa natureza, pois o impacto na cidade é praticamente irreparável através de sistemas alternativos. A colocação de ônibus ou acionamento de planos de emergência jamais terá capacidade de substituir uma, duas ou três linhas de metrô simultaneamente.

A importância da transição e do treinamento operacional

A mudança de operador em sistemas ferroviários é reconhecida como um momento especialmente delicado que depende muito do treinamento adequado do pessoal envolvido. Segundo Ejzenberg, por mais que tenha havido um período de transição entre a CPTM e a Trivia, aparentemente ele não foi suficiente para garantir uma operação segura e confiável desde o primeiro dia.

O especialista afirma que quanto maior o tempo de transição e de operação assistida, menor é a possibilidade de ocorrerem falhas operacionais. Os 90 dias previstos para a CPTM operar temporariamente as linhas deveriam ser suficientes para uma concessionária compreender completamente o sistema, porém, se não houver pessoal suficiente, peças de reposição adequadas e almoxarifado preparado, este prazo pode ser insuficiente.

Manutenção preditiva e segurança do sistema

A manutenção em sistemas sobre trilhos é considerada crítica para a operação segura. Estes sistemas passam todas as madrugadas em manutenção preventiva e preditiva, com troca de peças antes que apresentem falhas. Segundo Ejzenberg, não se pode deixar milhões de pessoas esperando para descobrir por que algo que era previsível acabou quebrando, pois isso representa uma falha fundamental do operador.

Para o especialista, um episódio como este seria justificável apenas se fosse resultado de sabotagem ou ato de vandalismo que passou despercebido. Se o problema for decorrente de erro de operação e erro de manutenção, simplesmente não é aceitável em um sistema de transporte público de tamanha importância para a metrópole paulista.

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