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Substituir Fogão a Gás por Elétrico Reduz Sintomas de Asma Tanto Quanto Medicamentos

by Guilherme Salles

Fogões a Gás e a Poluição do Ar Interior

Mais de um terço das residências americanas utiliza fogões a gás natural para o preparo de refeições. Embora a queima de gás natural seja conhecida por gerar dióxido de carbono, um dos principais responsáveis pelas mudanças climáticas, existe um problema frequentemente negligenciado: a poluição do ar em ambientes internos. A combustão do gás natural produz dióxido de nitrogênio e outros compostos capazes de irritar significativamente os pulmões.

Pessoas com problemas respiratórios preexistentes enfrentam risco particular. Nos Estados Unidos, aproximadamente 28 milhões de pessoas sofrem de asma e podem ser particularmente vulneráveis aos efeitos nocivos da poluição interna causada por fogões a gás. Uma análise abrangente de mais de 40 estudos científicos identificou uma correlação clara entre os níveis de dióxido de nitrogênio e o agravamento dos sintomas asmáticos.

Metodologia do Estudo Inovador

Pesquisadores conduziram o primeiro estudo destinado especificamente a verificar se a substituição de fogões a gás por fogões elétricos pode melhorar os sintomas da asma. O estudo envolveu 85 adultos e crianças com asma de controle precário, todos residentes em casas ou apartamentos equipados com fogões a gás.

O nível de controle da asma foi avaliado com base nas respostas a um questionário padronizado, que abordava sintomas específicos da doença, limitações nas atividades diárias e o uso de medicamentos de resgate, como inaladores de ação rápida. Profissionais especializados removeram os fogões a gás, vedaram com segurança as tubulações de gás, instalaram as tomadas elétricas necessárias e substituíram os aparelhos por modelos elétricos de indução, sem qualquer custo para os participantes.

Os pesquisadores optaram pelos fogões de indução por aquecerem e esfriarem rapidamente, além de serem mais seguros e fáceis de limpar do que os modelos elétricos de resistência. A equipe avaliou o controle da asma através de questionários preenchidos antes da substituição e novamente de dois a três meses depois. Monitores de qualidade do ar mediram os níveis de dióxido de nitrogênio em ambientes internos durante períodos de sete dias, tanto antes quanto depois da troca.

Resultados Impressionantes

Os resultados foram notáveis e ultrapassaram as expectativas iniciais. As melhorias nos sintomas da asma após a troca do fogão foram semelhantes — ou até maiores — do que aquelas relatadas em ensaios clínicos de medicamentos comumente usados para tratar a asma. Em média, os participantes passaram de sintomas moderados de asma para sintomas leves.

Os números são particularmente significativos: as idas ao pronto-socorro e as internações hospitalares devido à asma caíram 70%. As faltas ao trabalho ou à escola por causa da asma diminuíram cerca de 80%. Simultaneamente, os níveis internos de dióxido de nitrogênio reduziram-se em 70%, demonstrando a relação direta entre a qualidade do ar interior e os sintomas respiratórios.

Surpreendentemente, embora a indústria de gás natural promova os fogões a gás como sendo superiores para cozinhar, os participantes do estudo preferiram seus fogões elétricos. Quase todos — 98% — disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com seu fogão elétrico de indução, em comparação com apenas 41% que se sentiam assim em relação ao fogão a gás.

Limitações e Considerações do Estudo

É importante observar que o estudo incluiu um número relativamente pequeno de participantes e os acompanhou por apenas alguns meses. Os resultados podem não se aplicar universalmente a pessoas com sintomas de asma mais leves. Além disso, o estudo não incluiu um grupo de comparação que mantivesse os fogões a gás, o que teria fornecido um controle adicional.

Barreiras Econômicas e Soluções

O custo de substituir fogões a gás por fogões elétricos provavelmente será uma barreira significativa para comunidades de baixa renda. Em residências americanas mais recentes, um fogão elétrico e sua instalação custam, em média, cerca de US$ 1.500. Entretanto, em casas construídas antes de 1960, o custo pode chegar a US$ 7.000 por residência para modernizar as instalações elétricas.

Considerando a possível economia de custos decorrente da redução de visitas a prontos-socorros e internações hospitalares, pode fazer sentido que governos ou operadoras de planos de saúde subsidiem a substituição para pacientes com asma de difícil controle. O Equador oferece um exemplo promissor: entre 2015 e 2021, o governo equatoriano subsidiou a substituição de fogões a gás por fogões elétricos de indução em 750.000 residências — o equivalente a um décimo de todos os domicílios do país. A adesão ao programa esteve associada a uma queda significativa nas internações por doenças respiratórias.

Recomendações para Pacientes e Médicos

Trocar de fogão não cura a asma e pode não trazer benefícios para todos os casos. Pessoas com asma devem continuar o acompanhamento médico regular, utilizar os medicamentos prescritos e reduzir a exposição a outros gatilhos da doença, como fumaça de cigarro, ácaros, pólen e infecções virais respiratórias.

Entretanto, cerca de 80% dos participantes do estudo apresentaram melhoras significativas. Portanto, pessoas com asma de difícil controle podem considerar a substituição dos fogões a gás — dependendo de seus recursos e circunstâncias — como uma forma de aliviar substancialmente os sintomas. Médicos também podem perguntar aos pacientes asmáticos sobre o uso de fogões a gás e orientá-los quanto aos possíveis riscos à saúde. Além disso, construtoras, proprietários de imóveis e donos de restaurantes podem refletir sobre o tipo de fogão que instalam, considerando as necessidades futuras de saúde respiratória dos que utilizarão essas cozinhas.

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