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Petróleo sobe 6% e Brent ultrapassa US$ 100 após ataques Houthi no Mar Vermelho

by Guilherme Salles

Escalada de tensões no Oriente Médio impulsiona preços da commodity

Os contratos futuros de petróleo registraram um aumento significativo de mais de 6% durante a manhã, com o Brent superando a marca histórica de US$ 100 por barril nas bolsas de Londres, atingindo seu maior nível em aproximadamente dois meses. Este movimento foi desencadeado após o grupo Houthi, apoiado pelo Irã, anunciar ataques contra dois navios-tanque sauditas no Mar Vermelho, intensificando as tensões geopolíticas na região e amplificando os temores sobre possíveis interrupções no fornecimento global da commodity.

Detalhes dos ataques e impacto imediato no mercado

Os Houthis afirmaram ter lançado mísseis e drones contra as embarcações, alegando que estas violavam um bloqueio naval aos portos sauditas recentemente anunciado pelo grupo. Após a intensificação dos ataques, um dos navios atingidos, o Encelia, começou a transmitir o status de “not under command” (sem condições de manobra), indicando possível perda de capacidade de navegação devido aos danos sofridos. Este incidente marca uma escalada preocupante no conflito regional.

Por volta das 10h44, o Brent era negociado a US$ 99,44 por barril, representando uma alta de 5,7% em relação ao fechamento anterior, que já havia ocorrido em seu maior nível em seis semanas. O West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado americano, apresentava valorização de 4,64%, sendo negociado a US$ 90,87 o barril.

Reação global dos mercados financeiros

A repercussão dos ataques refletiu-se de forma desigual nos mercados globais. Na Ásia, os índices fecharam em alta, com Tóquio avançando 0,46%, Hong Kong subindo 1,28% e Shenzhen ganhando 0,23%. Em contraste, os mercados europeus apresentaram queda, com Londres caindo 0,66%, Frankfurt recuando 1,26% e Paris diminuindo 1,55%. Nos Estados Unidos, a tendência também foi negativa, com o S&P 500 caindo 0,95%, Nasdaq recuando 0,93% e Dow Jones apresentando queda de 1,68%.

Contexto geopolítico e impacto nas rotas comerciais

Este novo ataque abre uma frente adicional no conflito regional, que já vinha afetando significativamente o tráfego pelo Estreito de Ormuz após a escalada entre Estados Unidos e Irã. As exportações sauditas pelo Mar Vermelho tornaram-se uma importante alternativa quando os fluxos do Golfo Pérsico diminuíram drasticamente. A nova onda de instabilidade já elevou os preços do petróleo bruto em mais de 30% durante este período.

Daniel Hynes, estrategista sênior de commodities do ANZ Group Holdings Ltd, caracterizou o ataque como “uma séria escalação” do conflito, alertando que “se essa rota for interrompida, o aperto no mercado de petróleo só tende a se agravar”. Apesar dos riscos evidentes, dois petroleiros de propriedade chinesa prosseguiram em direção ao estreito de Bab el-Mandeb no Mar Vermelho, conforme dados de monitoramento marítimo.

Perspectivas futuras e análise especializada

A continuidade da alta dos preços dependerá essencialmente de o ataque representar um episódio isolado ou desencadear interrupções prolongadas nas cadeias de suprimento global. Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova Pte, observa que investidores otimistas podem esperar com segurança um Brent estável em US$ 100 por barril.

Paralelamente, forças americanas atacaram alvos militares iranianos, incluindo capacidades navais e instalações de vigilância costeira, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom). O comando também informou que nove embarcações comerciais foram redirecionadas e uma foi inutilizada para impedir a entrada ou saída de navios dos portos iranianos.

Washington e Teerã minimizaram a possibilidade de negociações de paz, aumentando perspectivas de um conflito prolongado. O presidente Donald Trump ameaçou bombardear pontes e usinas de energia, além de reiterar ameaças contra a Pickaxe Mountain, suspeita de abrigar instalações do programa nuclear iraniano. Esse ambiente de instabilidade contínua coloca os mercados de petróleo em situação de elevada volatilidade e tensão.

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