Nova fase de operação contra fraudes no INSS
A Polícia Federal (PF) realizou uma nova fase da operação que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cumprindo mandado de busca e apreensão no Distrito Federal contra o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Durante a ação, agentes apreenderam três veículos, sendo dois de luxo e um de colecionador, com objetivo de limitar o acesso do investigado a recursos financeiros.
De acordo com nota divulgada pela defesa, os advogados Danyelle Galvão e Leandro Raca afirmaram que foi a própria defesa de Antunes que comunicou as autoridades sobre a existência dos veículos em outubro de 2025. A nota destaca que, de modo a afastar alegações de dilapidação ou ocultação patrimonial, a defesa indicou a localização dos bens e manteve os veículos permanentemente à disposição da autoridade policial para apreensão.
Indiciamento e investigações
Antonio Carlos Camilo Antunes já havia sido indiciado no primeiro inquérito concluído da investigação. O mandado de busca foi determinado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação investiga os supostos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.
A Polícia Federal apontou que 48 pessoas participaram de um esquema de fraude e desvio de R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas no INSS. Além de Antunes, foram indiciados o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) Carlos Roberto Ferreira Lopes, e outros agentes públicos.
Estrutura da fraude previdenciária
A investigação revelou que a organização criminosa operava através de acordos de cooperação firmados entre entidades e o INSS para realizar descontos mensais diretamente na folha de pagamento de aposentados. Muitas vezes esses descontos ocorriam sem autorização válida dos beneficiários.
Segundo a PF, os valores desviados eram inicialmente depositados nos cofres da Conafer, mas eram rapidamente redirecionados, de forma majoritária, para empresas de fachada ligadas aos operadores financeiros. Em seguida, mediante ordem do presidente da Conafer, os operadores financeiros destinavam a maior parte dos valores em proveito próprio ou para pagamento de propina para agentes públicos e políticos.
Operação Sem Desconto
A apuração finalizada é derivada da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de cobranças associativas não autorizadas em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. A Conafer passou a ser investigada após indícios de crescimento expressivo na arrecadação por meio de descontos em benefícios previdenciários. Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram indícios de filiações irregulares e autorizações obtidas de forma fraudulenta ou sem consentimento dos beneficiários.
Uso de apelidos e ocultação
Mensagens obtidas durante a investigação apontam que os investigados utilizavam apelidos para se referir a ex-integrantes da cúpula do órgão federal. Alessandro Stefanutto era chamado de “Italiano”; o ex-diretor do INSS André Fidelis era denominado de “Herói A”; e o ex-procurador Virgílio Oliveira Filho era denominado de “Herói V”. Essas comunicações ocorriam entre integrantes do chamado “núcleo financeiro” do esquema e dirigentes da entidade.
A investigação concluída comprovou que os massivos valores desviados dos benefícios deveriam ser revertidos em benefícios aos filiados do INSS. Porém, o esquema permitiu o escoamento imediatamente para empresas de fachada e foi usado para enriquecimento ilícito e corrupção de agentes públicos. As investigações sobre outras entidades suspeitas e demais núcleos do esquema continuam em andamento em procedimentos separados.
