Aliança Política Surpreendente em Pernambuco
O senador Humberto Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT), oficializou sua candidatura à reeleição com uma escolha que surpreendeu parte da militância petista. O deputado federal Luciano Bivar, do MDB, foi selecionado para compor a chapa como suplente. A decisão recebeu apoio da cúpula do PT em Pernambuco e reflete as complexas negociações políticas que caracterizam o pleito estadual de 2026.
Bivar possui um histórico marcado por alianças políticas diversas. Anteriormente, mantinha vínculos com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua passagem pelo PSL, partido que conquistou a eleição presidencial em 2018. No entanto, o deputado rompeu com o bolsonarismo após enfrentamentos internos sobre a gestão do fundo partidário e o controle da sigla.
Contexto da Ruptura Política
A crise interna no PSL ganhou maior relevância em Pernambuco durante 2019, quando disputas sobre a candidatura à prefeitura do Recife intensificaram as tensões. Enquanto a liderança do partido articulava candidaturas próprias, Bolsonaro pressionava pela indicação de Gilson Machado Neto, então presidente da Embratur. O impasse resultou no lançamento de Carlos de Andrade Lima como candidato, que recebeu menos de 2% dos votos na eleição vencida por João Campos.
Interlocutores de Costa argumentam que Bivar sempre manteve relações respeitosas com o PT pernambucano, independentemente de suas filiações anteriores. Essa narrativa busca justificar a aparente contradição de um ex-bolsonarista integrando a chapa de um senador petista.
Alianças Eleitorais Complexas
Costa integra o bloco político liderado pelo ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB, que enfrenta uma disputa acirrada com a governadora Raquel Lyra, do PSD, pela liderança estadual. A composição de forças reflete estratégias eleitorais sofisticadas, onde antigas lealdades são renegociadas em função de novas realidades políticas.
A chapa de Campos também conta com Marília Arraes, ex-deputada recém-filiada ao PDT, que disputará uma vaga no Senado. Essa aliança articula diferentes segmentos do espectro político de esquerda e centro-esquerda pernambucano.
Configuração Incerta da Chapa Adversária
Por outro lado, a formação da chapa de Lyra ainda apresenta indefinições. O diretório estadual da federação União Progressista aprovou o nome do deputado federal Eduardo da Fonte como pré-candidato ao Senado, mas o União Brasil resiste, buscando indicar Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina. O deputado federal Tulio Gadelha, que deixou a Rede para ingressar no PSD, deverá compor a chapa de Lyra como candidato ao Senado.
O PT realizou sua convenção estadual em Recife na segunda-feira para oficializar as candidaturas que disputarão as eleições deste ano, consolidando a participação de Costa e Arraes nas disputas legislativas que prometem ser acirradas em Pernambuco.
