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Renato Machado: A Trajetória do Jornalista que Rejeitou a Carreira Diplomática

by Guilherme Salles

Um Caminho Diferente do Esperado

Renato Machado, falecido aos 83 anos na manhã de quinta-feira na Clínica São Vicente, na Zona Sul do Rio de Janeiro, tinha um destino traçado pela família que nunca chegou a concretizar. Filho de um médico e oficial do Exército e de uma secretária, o futuro apresentador do Bom Dia Brasil da TV Globo trilhou um caminho profissional bem diferente daquele que sua mãe, Fernanda Mattos Machado, havia sonhado para ele: a carreira diplomática.

A Aprovação no Itamaraty e a Decisão Que Mudou Tudo

Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Renato Machado conseguiu algo que poucos alcançam: aprovação nas rigorosas provas do Itamaraty, uma das fases mais disputadas do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. No entanto, sua aprovação teve um final inesperado.

Segundo informações do Memória Globo, o jornalista boicotou deliberadamente o exame de vista, etapa obrigatória do processo seletivo que avalia a aptidão física e mental dos candidatos para exercer as funções inerentes à profissão diplomática. Essa atitude revelava algo importante: seu coração não estava realmente direcionado para a vida na diplomacia, apesar do sucesso comprovado nas outras fases.

Do Teatro e Cinema Para o Jornalismo

Antes de se consolidar como um dos principais jornalistas brasileiros, Renato Machado explorou outras expressões artísticas. Sua trajetória profissional incluiu trabalhos como ator e dublador de cinema, além de participação no conceituado elenco do Teatro Oficina, em São Paulo, onde trabalhou com os maiores nomes da cena teatral brasileira.

Foi em 1967 que Machado passou em um concurso prestigiado da BBC e se mudou para Londres para trabalhar no rádio internacional, ampliando seus horizontes e adquirindo experiência valiosa na cobertura de temas globais. Após dois anos na capital inglesa, retornou ao Rio de Janeiro em 1969 e foi contratado como tradutor pelo Jornal do Brasil, começando assim sua carreira que o tornaria lendário.

Consolidação no Jornalismo de Qualidade

Sua permanência no Jornal do Brasil durou 14 anos, período em que Renato ascendeu de tradutor a repórter, consolidando sua reputação como profissional competente e dedicado. Posteriormente, assumiu posições de grande responsabilidade, como editor de Internacional, acompanhando de primeira mão um dos períodos mais turbulentos da política dos Estados Unidos, incluindo a renúncia do presidente Richard Nixon.

Também exerceu a função de editor da revista Domingo, demonstrando versatilidade e capacidade de gestão editorial. Sua experiência internacional e sensibilidade para temas globais resultaram em coberturas memoráveis, incluindo a Guerra nas Malvinas e o desastre de Chernobyl, que o tornaram conhecido entre os profissionais de comunicação brasileiros.

Um Legado Além da Diplomacia

A decisão de Renato Machado de sabotagem o exame de vista para não prosseguir na carreira diplomática revelou-se profundamente assertiva. Enquanto poderia ter tido uma carreira diplomática respeitável, seu verdadeiro talento floresceu no jornalismo, trazendo ao Brasil e ao mundo coberturas importantes de eventos que marcaram a história moderna.

Sua história inspira reflexões sobre a importância de seguir a própria vocação, mesmo quando isso significa desviar do caminho que a família esperava. Renato Machado encontrou seu verdadeiro propósito na profissão de jornalista, deixando um legado duradouro para a comunicação brasileira.

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