Salles entra na disputa do Senado sem apoio oficial de Tarcísio
O deputado federal Ricardo Salles (Novo) busca consolidar sua candidatura ao Senado por São Paulo com uma estratégia focada no agronegócio e no desgaste de seus concorrentes, mesmo sem fazer parte da chapa oficial do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Embora Tarcísio tenha escolhido André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) como pré-candidatos ao Senado, Salles promete “embolar” essa disputa e conquistar o apoio do eleitorado conservador do estado.
Desempenho nas pesquisas e fragmentação da direita
Segundo a pesquisa Datafolha divulgada na semana anterior, Salles aparece com 13% das intenções de voto, posição que o coloca à frente de André do Prado (11%) e Guilherme Derrite (10%), mas atrás de Marina Silva (Rede) com 18% e Simone Tebet (PSB) com 16%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. Especialistas e políticos destacam que essa “candidatura tripla” de candidatos conservadores pode resultar em dispersão de votos no eleitorado da direita, favorecendo potencialmente as candidatas do campo progressista.
Estratégia de aproximação com o agronegócio
Ex-ministro do Meio Ambiente no governo Jair Bolsonaro, Salles organizou uma série de compromissos no interior de São Paulo durante a semana, incluindo almoço com representantes do agronegócio em Ribeirão Preto. O deputado, eleito em 2022 com 640 mil votos (o quarto mais votado do estado), afirma contar com apoio significativo de setores ligados à pecuária, soja, cana-de-açúcar e setor sucroenergético.
“Eu tenho um apoio grande do interior, pessoal do agro, nos mais diversos setores. Tem a turma da pecuária, pessoal da soja, da cana-de-açúcar e tal, do setor sucroenergético. Todos me ajudam bastante”, afirma Salles, ressaltando o apoio de grupos conservadores espalhados pelo estado.
Críticas a André do Prado e postura em relação ao governador
Mantendo duras críticas à escolha de André do Prado por Tarcísio, Salles questiona a lealdade política do presidente da Assembleia Legislativa (Alesp). Para o deputado do Novo, Prado não representa a direita ideológica e é mais ligado ao centrão político. “Ao contrário de outros que surgiram aí, eu sou de direita. Estou nisso há 20 anos”, destaca Salles, que pretende usar suas redes sociais (1,1 milhão de seguidores no Instagram) para marcar Prado com o rótulo de “centrão”.
Em resposta, Prado enviou nota à imprensa afirmando que Salles dedicou mais tempo a ataques do que a apresentar propostas para São Paulo, lembrando que o deputado federal foi eleito com apoio decisivo de Bolsonaro e sua família. No entorno de Tarcísio, a ordem é ignorar Salles, pelo menos por enquanto, mantendo o foco na campanha para reeleição do governador.
Questionamento sobre candidatas “forasteiras”
Salles também questiona a candidatura de Marina Silva e Simone Tebet, argumentando que ambas não são naturais de São Paulo e estariam usando o estado de forma oportunista para alavancar suas carreiras políticas. O deputado federal levanta preocupações sobre a defesa dos interesses paulistas em negociações federativas, citando especialmente o caso de Simone Tebet, que é do Mato Grosso do Sul.
Por outro lado, Salles reconhece que embora Tarcísio não seja paulista de nascimento, o governador iniciou sua carreira política em São Paulo, diferenciando-se das candidatas que veem no estado apenas uma oportunidade.
Confiança nas redes sociais e crítica ao poder da máquina eleitoral
Para Salles, o sucesso de Tarcísio nas pesquisas de reeleição não garante votos automáticos para seus candidatos ao Senado. O deputado critica a crença tradicional de que a “máquina eleitoral” elege automaticamente, argumentando que os eleitores atuais possuem senso crítico aguçado potencializado pelas redes sociais e internet. Essa visão contrasta com o otimismo de Tarcísio em relação aos seus candidatos indicados.
Rejeitando sugestões de concorrer a outros cargos como reeleição ou Assembleia Legislativa, Salles enfatiza sua preferência pela disputa ao Senado, afirmando que deputados federais possuem pouca relevância política e que a vida de parlamentar federal é sacrificada, demandando viagens semanais a Brasília.
