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Roberto Anderson: A arrogância pode ser um obstáculo para Paes?

É impressionante a quantidade de projetos que levam adiante e que contrariam o senso comum e a proteção do meio ambiente e do Patrimônio

Divulgue pra geral:

Na Grécia Antiga, a húbris era compreendida como um excesso de orgulho e soberania que frequentemente resultava na queda dos guerreiros, atingidos pela ira da deusa Nêmesis, que simbolizava a retribuição divina. Eduardo Paes e seu “cover”, conforme mencionado por Fábio Porchart, parecem ignorar os ensinamentos da sabedoria clássica. É notável a quantidade de projetos que têm promovido, desconsiderando o bom senso e colocando em risco tanto o meio ambiente quanto o Patrimônio.

Durante seus primeiros mandatos, Paes tomou a controversa decisão de implodir a antiga Fábrica da Brahma, um ícone na área do Catumbi. Seu projeto conhecido como Porto Maravilha sugeriu a construção de prédios com até cinquenta andares, sem garantir a proteção dos galpões que ainda permanecem da antiga atividade portuária na região do retroporto. Como consequência, uma nova barreira se ergueu ao lado da rodoviária, chamada Curilândia, obscurecendo a vista dos cariocas para o Morro do Pinto e a pequena igreja de Nossa Senhora de Montserrat.

Nos últimos mandatos do prefeito Paes, houve um crescimento sem precedentes no licenciamento para derrubada de árvores em terrenos privados. Segundo informações do jornalista André Trigueiro, o número de árvores cortadas nesses locais para novos desenvolvimentos cresceu drasticamente, passando de 5.216 em 2021 para 13.130 em 2025 — um aumento de 151%. A cidade já enfrenta uma grave carência de áreas verdes urbanas, especialmente nas Zonas Norte e Oeste, tornando-se ainda mais vulnerável ao aumento das temperaturas devido ao aquecimento global.

A Prefeitura deveria compensar essas remoções com o plantio de cerca de 175 mil mudas em áreas urbanas. No entanto, as mudas levam tempo para crescer e nem todas sobrevivem. Além disso, não há controle sobre se essas plantações realmente ocorrem. O resultado é uma considerável redução na cobertura arbórea.

Um exemplo emblemático dessa permissividade foi observado no antigo Colégio Metodista Bennet, localizado no Flamengo. O palacete datado de 1859 foi residência do Barão de São Clemente e foi tombado pelo Município em 2014 junto com sua cavalariça. As árvores que faziam parte desse conjunto foram consideradas inatingíveis para cortes. Contudo, desrespeitando as normas do tombamento, este ano o prefeito autorizou a derrubada de 71 árvores imponentes presentes na propriedade. Os residentes nas proximidades estão indignados e já realizaram dois protestos em frente ao local.

No Jardim de Alah, um parque protegido pelo tombamento municipal, a Prefeitura concedeu licença para um projeto que compromete sua estrutura original e impermeabiliza o solo com a construção de extensas áreas comerciais, configurando um verdadeiro minishopping dentro do parque. No Pão de Açúcar, foi aprovado um projeto para instalação de uma tirolesa que danificou parte do cume deste monumento histórico. Embora a Justiça tenha determinado a suspensão das obras recentemente, os danos à rocha já foram causados.

A mais recente controvérsia envolvendo Eduardo Paes é a autorização para derrubar cerca de vinte árvores no Buraco do Lume para dar lugar à construção de um grande edifício residencial em uma área tradicionalmente utilizada pelo público. No momento atual, uma decisão judicial impediu temporariamente o corte das árvores; no entanto, essa suspensão pode ser revogada.

Um fator favorável para Eduardo Paes é que sua principal oposição bolsonarista parece não se preocupar com questões ambientais ou paisagísticas. Essa ala política demonstra interesse por eliminar “firulas” relacionadas ao meio ambiente. Se esses adversários tivessem alguma consideração por tais assuntos, teriam material suficiente para criar uma campanha crítica contra Paes na disputa pelo governo do Estado do Rio de Janeiro. O ex-prefeito continua sua busca por poder sem se importar com as vozes críticas dos ambientalistas e defensores do Patrimônio histórico. Ele parece esquecer que um dia Nêmesis pode despertar sua fúria.

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