Na próxima sexta-feira (15), o Centro do Rio de Janeiro será o cenário de uma cerimônia solene em homenagem a um dos maiores ícones da música brasileira. Uma missa, agendada para as 10h30, celebrará a vida e a obra de Cauby Peixoto (1931-2016), em memória aos dez anos de sua morte. O evento acontecerá na histórica Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, situada na Rua do Ouvidor, um marco arquitetônico do século XVIII.
Considerado por muitos críticos como um dos mais destacados cantores da música brasileira no século XX, Cauby deixou uma lacuna na cultura nacional que ainda é sentida. Esta homenagem se torna relevante especialmente em 2024, quando o artista será reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural Carioca, uma honraria póstuma que ressalta sua profunda ligação com a cidade onde viveu momentos decisivos de sua carreira.
Sete décadas de destaque
A trajetória artística de Cauby Peixoto reflete a transformação da comunicação no Brasil. Sua carreira teve início no final da década de 1940 na Rádio Tupi, alcançando grande sucesso nos anos 1950, quando se destacou como um fenômeno da Era de Ouro do rádio. Com um estilo único, caracterizado por sua potente voz e visual marcante, o “Professor”, como era carinhosamente conhecido, quebrou barreiras e conquistou o público.
Durante quase setenta anos de carreira ininterrupta, Cauby acumulou diversas conquistas que transcenderam fronteiras nacionais. Ele foi agraciado com o Grammy Latino e recebeu o prestigiado Latin Recording Academy’s President Merit Award, prêmios que atestam sua relevância na música latino-americana.
O último ato
Mesmo nos últimos momentos de sua vida, Cauby manteve-se próximo dos palcos. O cantor faleceu em 2016, poucas semanas após uma das suas últimas grandes apresentações no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, durante uma turnê nacional. Essa performance foi um verdadeiro testemunho de sua duradoura carreira e do carinho imenso que recebia do público, que o acompanhou desde os tempos das plateias lotadas até os respeitosos silêncios dos grandes teatros.
A missa desta sexta-feira representa mais do que um simples rito religioso; é uma oportunidade para fãs e admiradores se reunirem em reverência ao artista que elevou a canção popular a uma forma de arte eterna.
A Igreja
A Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores é uma das mais antigas do Rio e teve seu início de construção em 1743, sendo inaugurada em 1750 pela Irmandade dos Mercadores. Com seu estilo barroco e capacidade para 147 pessoas, o templo passou por ampliações na década de 1860 e recebeu influências do rococó devido ao empenho dos comerciantes da época, quando o Centro era a capital do Império.
Localizada na esquina da Rua do Ouvidor com a Travessa do Arco do Teles, a igreja guarda um valioso acervo histórico. O medalhão em pedra em sua fachada foi ocultado durante a invasão francesa liderada por Villegagnon. No interior, a sacristia exibe uma bala de canhão disparada pelo encouraçado Aquidabã durante a Revolta da Armada, em 1893. A imagem de Nossa Senhora da Fé, que caiu da torre destruída pelos tiros, sofreu apenas duas perdas nos dedos e permanece intacta no local, sendo considerada um milagre.
A igreja é administrada pela Irmandade dos Mercadores, formada por mascates e comerciantes devotos à Senhora da Lapa no Centro da cidade. Ela se tornou um símbolo do Centro Histórico carioca e continua sob os cuidados da Associação de Fiéis estabelecida em 1747, tendo passado por recentes restaurações.
A Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores realiza missas solenes aos sábados e domingos às 12h00 com coral e orquestra.



