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Ondas de calor geram aumento alarmante de mortes no RJ, com as comunidades periféricas enfrentando o maior impacto

Comissão Especial de Favelas e Periferias anunciou que irá discutir medidas de enfrentamento à crise climática junto ao Governo do Estado

Divulgue pra geral:

Nesta terça-feira (12/07), a Comissão Especial de Favelas e Periferias da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) se reuniu para discutir os efeitos da crise climática nas áreas periféricas do estado. Durante o encontro, foram apresentados vários dados relevantes, incluindo informações do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), que destacam que a Região Metropolitana do Rio foi responsável pelo segundo maior número de mortes relacionadas às ondas de calor no Brasil entre 2000 e 2018, afetando predominantemente pessoas negras, pardas e moradores de favelas. Em resposta a essa realidade alarmante, a Comissão decidiu trabalhar em conjunto com o Governo do Estado para desenvolver estratégias de enfrentamento à crise climática.

A deputada Renata Souza (Psol), que preside a comissão, enfatizou a necessidade de um planejamento mais eficaz e de investimentos públicos robustos para evitar desastres ambientais. “A crise climática não deve ser encarada como uma tragédia natural; ela é resultado da falta de ação por parte do governo, e as comunidades periféricas são as que mais padecem pela escassez de infraestrutura, medidas preventivas e políticas ambientais adequadas”, afirmou.

Vulnerabilidade socioambiental

Os dados discutidos durante a audiência evidenciam os graves impactos da crise climática nas regiões periféricas. O estado do Rio abriga 1.724 favelas, onde vivem aproximadamente 2,1 milhões de pessoas. Segundo informações da ONG Redes da Maré, eventos climáticos extremos têm resultado em um aumento significativo de doenças, destruição de moradias e até fatalidades nessas áreas.

O colegiado ainda mencionou as intensas chuvas que atingiram a Região Metropolitana em 14 de março de 2026. De acordo com o Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, mais de 200 chamados de emergência foram registrados, principalmente nos municípios da Baixada Fluminense, onde mais de 70% da população é identificada como negra, conforme dados do Censo 2022 do IBGE.

A coordenadora do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, Renata Gracie, comentou sobre os efeitos cumulativos da crise climática na vida dos residentes das periferias. “É crucial expandir as políticas voltadas à prevenção e à infraestrutura para atenuar os danos e diminuir a vulnerabilidade nessas áreas”, destacou.

Alertas climáticos para 2026

O pesquisador Pedro Aranha expressou preocupações sobre o agravamento dos fenômenos climáticos extremos no segundo semestre de 2026 e pediu ações imediatas por parte das autoridades para promover adaptações climáticas. “As previsões sugerem ondas de calor mais severas e um crescimento nos riscos de enchentes e deslizamentos. É imperativo preparar as cidades com a infraestrutura adequada, aumentar os planos de adaptação climática e assegurar medidas protetivas para as populações mais vulneráveis”, enfatizou.

Marie Ikemoto, subsecretária estadual responsável por Mudanças Climáticas e Conservação da Biodiversidade, sublinhou a importância do diálogo entre o governo, especialistas e representantes das comunidades mais impactadas. Ela informou que o estado está comprometido em fortalecer as políticas relacionadas à adaptação climática e em apoiar os municípios na implementação dessas iniciativas. “Ouvir as necessidades desses territórios é essencial para aumentar a capacidade dos municípios em executar políticas públicas voltadas à adaptação e resiliência climática”, concluiu.

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