No final de julho, a Companhia das Letras dará início ao lançamento do primeiro volume da nova biografia de Carlos Lacerda, elaborada pelo jornalista Mário Magalhães. Este trabalho, que é dividido em dois tomos, teve sua pesquisa iniciada em 2015 e chega às prateleiras após um longo período de onze anos de dedicação. As informações foram divulgadas por Mônica Bergamo/Folha de São Paulo.
Intitulado “Lacerda – Coração de Tempestade”, o primeiro volume narra a vida do biografado desde seu nascimento, em 1914, até novembro de 1955, momento em que ele optou pelo autoexílio.
Mário Magalhães, que já atuou como ombudsman na Folha de S.Paulo, teve acesso a uma vasta quantidade de documentos anteriormente confidenciais gerados por instituições governamentais do Brasil, dos Estados Unidos e da antiga União Soviética. Esse acervo é fundamental para reconstituir a trajetória de um dos personagens mais polêmicos da política brasileira do século XX.
Quem foi Carlos Lacerda
Carlos Lacerda foi um influente jornalista, escritor, deputado federal e governador do extinto Estado da Guanabara, atualmente conhecido como cidade do Rio de Janeiro. Reconhecido por sua eloquência incisiva e forte presença no cenário público, ele se destacou como uma das figuras mais proeminentes da oposição a presidentes como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart.
Além disso, Lacerda fundou o jornal Tribuna da Imprensa, que utilizou como plataforma política. Ao longo de sua carreira, ele se tornou um ícone da direita liberal e anticomunista; no entanto, sua trajetória foi marcada por nuances. Inicialmente apoiou o golpe militar de 1964, mas posteriormente rompeu com os militares e se uniu à Frente Ampla juntamente com antigos rivais na luta pela redemocratização do país.
A complexidade da trajetória de Lacerda é um dos principais temas abordados na nova biografia. Mário Magalhães destaca que seu objetivo foi evitar retratos simplistas que cercam a figura histórica do biografado. “O maior desafio ao narrar a vida de Carlos Lacerda foi libertá-lo das amarras históricas que ainda tentam restringi-lo. Ele é um personagem repleto de contrastes que vão além das visões unilaterais sobre sua vida. Sua trajetória não seguiu uma linha reta”, comenta Magalhães.
O autor também é conhecido pela biografia “Marighella”, dedicada ao militante Carlos Marighella, obra essa que teve adaptação cinematográfica dirigida por Wagner Moura.



