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Greve na CAP-Uerj completa 78 dias e provoca suspensão das aulas para estudantes

Paralisação começou em 25 de março e foi ampliada no dia 09 de abril

Divulgue pra geral:

Na quarta-feira, 10 de junho, completaram-se 78 dias de greve por parte dos professores e servidores do Colégio de Aplicação da Uerj (CAP-Uerj). A paralisação não tem uma data definida para seu término. Desde o dia 25 de março, a maioria dos estudantes está sem aulas, exceto aqueles do 3º ano que se preparam para o vestibular.

A greve tem gerado impactos significativos na rotina das famílias. Maria Farias, enfermeira, relata que precisa se organizar com o marido para cuidar da filha de 10 anos enquanto trabalha. “Nos dias em que estou de plantão, levo-a para Realengo. Quando não estou, tentamos nos reorganizar. Mas não sei como quem trabalha todos os dias está lidando com isso”, desabafa.

Luiza Farias, uma aluna do 5º ano, expressa sua saudade da escola e das interações sociais. “É muito chato ficar em casa, porque eu gostaria de aprender. Muitas pessoas moram longe e a única forma de se comunicarem é através do colégio”, comenta.

As principais demandas dos grevistas incluem o adicional por tempo de serviço, um plano de carreira e o aumento do orçamento destinado à universidade. Embora tenham ocorrido reuniões com a administração interina, pouco progresso foi alcançado nas reivindicações, e ainda não há um acordo definitivo.

Os pais também relatam dificuldades no aprendizado e na rotina dos filhos. Régis Nogueira, pai de um aluno, afirma: “Eu acordo quase todas as manhãs com meu filho chorando. Tentamos fazer atividades em casa, mas não conseguimos avançar”. Outra mãe menciona que seu filho está “desmotivado e triste”.

Na entrada da escola, muitos portões permanecem trancados. Dentro e fora da instituição, cartazes colocados por professores e responsáveis pedem uma solução para que as aulas possam recomeçar normalmente. Em abril, quando a greve atingiu 50 dias, houve protestos por parte das famílias no local.

Diante da falta de aulas, muitos pais buscam alternativas para garantir que seus filhos continuem estudando. “Coloquei meu filho em uma aula particular porque ficar quase três meses sem estudar faz com que eles percam o ritmo”, compartilha Maria Farias.

A Uerj anunciou que ainda não há um novo calendário escolar definido, mas assegurou que as aulas serão repostas assim que possível. A universidade também planeja agendar uma nova reunião para dar continuidade às negociações.

Por sua vez, o governo estadual afirmou que está analisando as solicitações levando em consideração a responsabilidade fiscal e que novas medidas dependerão de fatores como a adesão ao programa de pagamento das dívidas estaduais e a definição sobre a distribuição dos royalties do petróleo pelo STF.

Enquanto aguardam uma solução para a situação atual, os alunos seguem sem aulas. “Quando as aulas voltarem, quero brincar muito e estudar bastante com minha turma”, diz Luiza Farias.

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