Rogéria Bolsonaro aparece como uma possível candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026, conforme o PL começa a explorar novas opções. Essa movimentação surge em um momento de fragilidade política e jurídica para Cláudio Castro, que foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral devido a abusos de poder nas eleições de 2022. As informações foram divulgadas por Thiago Prado na newsletter Jogo Político/O Globo.
Nos corredores do partido, Flávio Bolsonaro está buscando alternativas para a candidatura que anteriormente seria considerada uma escolha natural para Castro na chapa conservadora do estado. A inclusão de Rogéria em pesquisas foi interpretada por seus aliados como um indicativo de que o grupo já está pensando em um plano B para a disputa senatorial.
Ainda assim, essa movimentação é tratada com cautela dentro do PL. O partido evita afirmar abertamente que Cláudio Castro pode não concorrer em 2026, pois ainda há possibilidades de recursos no TSE. Contudo, a inelegibilidade trouxe complicações concretas para a formação da chapa.
Em pesquisa realizada pelo Paraná Pesquisas e divulgada em 24 de abril, os resultados mostraram Benedita da Silva liderando com 30,4%, enquanto Cláudio Castro registrou 29,9%. Em um cenário alternativo sem a presença do ex-governador, Rogéria Bolsonaro obteve 28,1%, ficando atrás da mesma Benedita, que alcançou 32,3%.
Esse dado provocou debates internos entre os apoiadores de Bolsonaro. Embora Rogéria não estivesse inicialmente prevista como candidata principal, seu sobrenome e sua conexão com a família Bolsonaro estão sendo considerados como vantagens significativas em uma eleição majoritária.
Antes da decisão do TSE contra Castro, o PL havia planejado uma configuração diferente. A chapa que teria Douglas Ruas como candidato ao governo contava com Márcio Canella, do União Brasil, como candidato ao Senado e Rogéria Bolsonaro como potencial primeira suplente.
A situação mudou com a condenação judicial de Castro, tornando o equilíbrio anterior menos seguro. Mesmo com sua competitividade nas pesquisas, sua presença nas urnas agora depende da reversão dessa decisão legal.
A pesquisa Genial/Quaest publicada nesta semana também revelou um declínio na aprovação do governo de Cláudio Castro. O levantamento apontou que ele possui apenas 12% das intenções de voto para o Senado, tecnicamente empatado com Benedita da Silva, que obteve 10%. A pesquisa entrevistou 1.200 eleitores entre os dias 21 e 25 de abril e tem margem de erro de três pontos percentuais.
A queda na popularidade ocorre após um período em que Castro parecia revitalizado politicamente devido à repercussão positiva das operações de segurança no Rio. Atualmente, no entanto, os fatores de desgaste administrativo e incertezas sobre sua elegibilidade estão criando espaço para novas estratégias dentro do campo conservador.
<pNesse contexto, Rogéria Bolsonaro se apresenta como uma opção viável para assegurar uma vaga no círculo familiar ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro sem depender da situação jurídica de Cláudio Castro. Os aliados acreditam que seu sobrenome pode ter mais peso numa eleição majoritária comparado a disputas proporcionais.
Com um passado político no Rio de Janeiro, Rogéria já ocupou dois mandatos como vereadora entre 1993 e 2000, durante seu casamento com Jair Bolsonaro. Em 2000, tentou renovar seu mandato mas acabou concorrendo com seu filho Carlos Bolsonaro, então com apenas 17 anos; Carlos foi eleito vereador enquanto Rogéria ficou na suplência.
Aposentada da política por um tempo considerável, ela voltou à cena eleitoral após a vitória presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Em 2020, tentou novamente uma vaga na Câmara Municipal pelo Republicanos mas não teve sucesso.
Caso venha a se candidatar ao Senado, sua participação mudaria significativamente o panorama eleitoral; ao invés de concorrer em uma eleição proporcional onde os votos são dispersos entre muitos nomes, Rogéria participaria de uma corrida majoritária onde a identificação política e familiar teria mais relevância.
A eventual candidatura de Rogéria também se insere em um movimento mais amplo da família Bolsonaro rumo ao Senado: Carlos deve tentar uma vaga por Santa Catarina e Michelle é cogitada para concorrer no Distrito Federal.
No entanto, o cenário no Rio é mais delicado devido à situação envolvendo Cláudio Castro que ainda busca manter suas chances eleitorais apesar das restrições impostas pelo TSE. Para o PL, é crucial evitar depender de um nome cuja elegibilidade pode ser contestada pela Justiça Eleitoral.
Aliados estão atentos à reação de Michelle Bolsonaro diante da possível candidatura de Rogéria; as relações entre diferentes ramos da família frequentemente apresentam disputas internas e sinais públicos de desconforto. Recentemente, após críticas dirigidas a Michelle por Flávio, Eduardo e Carlos devido à sua oposição a uma aliança com Ciro Gomes no Ceará, Rogéria fez postagens nas redes sociais defendendo a união dos filhos.
Por enquanto, o nome de Rogéria Bolsonaro atua como um teste e também como um recado: teste porque serve para avaliar o peso eleitoral do sobrenome numa corrida senatorial no Rio; recado porque sinaliza a Cláudio Castro que o PL já considera planos alternativos caso sua situação jurídica não seja revertida.



