Michele Coelho Montenegro é alvo de investigações em 17 inquéritos conduzidos pela Polícia Civil, sendo suspeita de participar de um esquema de estelionato e apropriação indébita relacionado à venda fraudulenta de obras de arte. O delegado Marcos Buss, responsável pela Delegacia de Defraudações (DDEF), revelou detalhes sobre o caso. De acordo com a polícia, Michele se apresentava como advogada, herdeira de uma grande fortuna e comerciante de arte e imóveis.
A principal suspeita do esquema teria criado uma fachada de credibilidade para conquistar a confiança da vítima. As investigações indicam que ela fez promessas de negócios vantajosos para persuadir um galerista a realizar pagamentos antecipados e adiantamentos financeiros.
Conforme as apurações do delegado Buss, a vítima entregou quatro obras de arte avaliadas em R$ 10 milhões à Michele para que ela intermediasse sua venda. Em contrapartida, a suspeita forneceu quatro cheques ao galerista, todos sem fundos. Além disso, foi mencionado que ela recebeu R$ 2 milhões como adiantamento por uma suposta negociação com uma galeria na cidade de São Paulo.
“Michele se passava por advogada e dizia ser herdeira de uma fortuna e comerciante no setor artístico. Ela se aproximou da vítima, que é galerista, oferecendo-se para negociar quadros. O galerista entregou a ela quatro obras, sendo duas do artista Ivan Serpa e duas do artista Sérgio Camargo, totalizando R$ 10 milhões. Além disso, solicitou R$ 2 milhões como adiantamento e R$ 120 mil por um apartamento que não pertencia a ela”, detalhou o delegado.
Na operação realizada nesta quarta-feira, os investigadores da DDEF cumpriram nove mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça em locais relacionados aos investigados, incluindo Ipanema na Zona Sul do Rio, Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca na Zona Sudoeste, além de endereços em Niterói na Região Metropolitana.
Durante as buscas em um dos locais, os policiais localizaram uma das obras pertencentes ao galerista, que havia sido entregue mais de um ano antes. Essa obra estava com um homem que foi detido por receptação. Tanto ele quanto Michele optaram por não falar fora do âmbito judicial. A polícia informou que Michele está sendo processada por estelionato e apropriação indébita.
A mulher era nomeada como assessora na Secretaria Estadual da Casa Civil com um salário líquido de R$ 12 mil sob o nome fictício Mia Montenegro. Após tomar conhecimento das investigações, a Secretaria exonerou Michele através de uma edição extra do Diário Oficial publicada nesta quarta-feira.
Em comunicado oficial, o Governo do Estado confirmou a exoneração e ressaltou que a falsa advogada “foi nomeada durante a gestão anterior, antes da implementação dos procedimentos de compliance para nomeações”.
A defesa de Mia Montenegro afirmou que sua cliente é uma vítima e busca acesso aos documentos do processo para esclarecer a situação. Abaixo está a íntegra da nota enviada pelo advogado Paulo Gomes Rangel Neto: “Mia Montenegro foi mais uma vítima entre outras nos fatos em investigação, o que será demonstrado facilmente. Seus advogados estão buscando acesso aos autos para esclarecer tudo isso e assegurar que ela retorne à liberdade que lhe é justa.”
Informações adicionais foram obtidas através da publicação O Globo.



