Os indígenas goytacazes, conhecidos por sua força e robustez, ofereceram resistência significativa aos colonizadores. Contudo, ao longo do tempo, cerca de 12 mil desses nativos foram dizimados pelos portugueses até o final do século XVIII. Apesar dessa tragédia, o legado cultural e gastronômico deixado por eles ainda é perceptível no Norte Fluminense. Ao contemplar a cidade de Campos dos Goytacazes de uma perspectiva elevada, é possível notar a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, cuja estrutura arquitetônica remete à forma de um cocar, localizada às margens do Rio Paraíba do Sul. Essa instituição simboliza uma resistência similar à dos povos originários que habitaram a região.
A universidade, que foi idealizada por Darcy Ribeiro e estabelecida por Leonel Brizola, vive um momento crítico com a falta de atualização em seu plano de cargos e salários há duas décadas. Recentemente, os professores enviaram um ofício ao governador interino Ricardo Couto solicitando atenção a essa questão. No documento, eles ressaltam que, com 33 anos de existência, a instituição se tornou uma referência em pesquisa e pós-graduação no Brasil, mas atualmente enfrenta sérios problemas financeiros e institucionais.
“Os vencimentos dos servidores técnicos e administrativos estão defasados em pelo menos 60% desde 2014”, afirma Marcos Pedlowski, geógrafo e professor da UENF.
O ofício também menciona que os docentes estão em estado de greve desde novembro de 2025 e critica a falta de diálogo da administração anterior sob Cláudio Castro com a comunidade acadêmica. Em face dessa situação, a associação dos professores pede uma reunião com o governador interino para discutir quatro questões fundamentais: criação de um novo plano de cargos, aumento do auxílio-alimentação, retorno dos triênios e pagamento integral da recomposição salarial aprovada pela Alerj.
A crise enfrentada pela UENF vai além de uma simples questão administrativa; ela evidencia o descaso com um projeto estratégico essencial para o desenvolvimento do interior fluminense. Em um estado que historicamente convive com desigualdades profundas, enfraquecer as universidades públicas resulta na limitação da pesquisa científica, na fuga de pesquisadores e na diminuição das oportunidades para milhares de jovens. Assim como os goytacazes lutaram para preservar suas terras e identidade, a comunidade acadêmica hoje se empenha em manter viva uma instituição criada para projetar o futuro do Brasil a partir do Norte Fluminense.



