A tentativa de leiloar um dos maiores complexos imobiliários nas proximidades da Pedra do Sal resultou em um desempenho bastante aquém das expectativas. Dos 112 imóveis disponíveis para o leilão na área da Saúde, situada no coração do Rio de Janeiro, apenas duas propriedades atraíram propostas de compra. As demais unidades encerraram os pregões sem receber qualquer lance, conforme informações fornecidas pela Taba Leilões, a empresa encarregada do evento.
As duas propriedades que foram vendidas localizam-se na Rua São Francisco da Prainha e têm finalidade comercial. Ambas foram adquiridas por um único comprador. Uma delas, com uma área de 135 metros quadrados e atualmente ocupada, foi negociada por R$ 408,2 mil, um valor ligeiramente superior ao mínimo estabelecido de R$ 405 mil. Já o segundo imóvel foi vendido pelo valor base determinado no edital, que era de R$ 384,2 mil.
O restante do portfólio imobiliário, distribuído pelas ruas históricas da Pedra do Sal, não conseguiu gerar interesse entre os compradores. Entre os fatores que explicam essa falta de apelo estão as complicações jurídicas enfrentadas pelos imóveis. Aproximadamente 80% das unidades possuem algum tipo de pendência judicial, que inclui ações de despejo, reintegrações de posse e processos de usucapião movidos por moradores e ocupantes que buscam o reconhecimento da propriedade dos locais onde residem ou trabalham há décadas.
Esse conjunto abrange casarões antigos, além de imóveis comerciais e residenciais em variados estados de conservação. Muitos deles apresentam fachadas deterioradas e estruturas envelhecidas, evidenciando sinais claros de abandono. Além disso, existem unidades fechadas há muitos anos em uma região que, apesar da crescente valorização imobiliária do entorno portuário, ainda enfrenta disputas fundiárias históricas.
A administração dessas propriedades está sob os cuidados da Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus desde o ano de 2015. Em documentos anexados aos processos judiciais relacionados ao caso, a entidade argumenta que o patrimônio teria origem em uma doação feita por Dom João VI em 1821, pouco antes do retorno da corte portuguesa a Portugal.



