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Crescimento vertical da favela no Leblon chama atenção na orla e gera alertas sobre segurança estrutural

Crescimento vertical avança sem expansão territorial, com densidade quatro vezes acima da média da cidade; construções chegam a sete andares

Divulgue pra geral:

A intensificação da verticalização na Chácara do Céu, situada no Alto Leblon, levanta preocupações tanto entre moradores quanto entre especialistas. Localizada entre a Mata Atlântica e os limites do Parque Natural Municipal Penhasco Dois Irmãos, essa comunidade na Zona Sul do Rio de Janeiro tem experimentado um crescimento vertical em um espaço já bastante denso.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2022 a favela contava com 591 residentes em 231 domicílios, ocupando uma área de apenas 0,025 km². Essa configuração resulta em uma densidade populacional impressionante de 23.550 pessoas por km², que é aproximadamente quatro vezes superior à média municipal de 5.174 habitantes por km². Esse fenômeno reflete uma tendência observada na cidade: entre os anos de 2000 e 2022, a população geral do Rio cresceu 6%, enquanto nas favelas esse aumento foi de 23,53%.

Recentes registros ajudam a ilustrar essa mudança significativa. Imagens capturadas por drones e comparações com fotografias de satélite entre os anos de 2020 e 2025 mostram que, embora a área ocupada não tenha se expandido sobre a vegetação nativa, as construções se tornaram mais altas e compactas. Estruturas que chegam a sete andares agora se destacam entre as árvores e podem ser avistadas a quilômetros de distância, incluindo da orla de Ipanema, onde antes eram invisíveis. No local, obras em andamento são visíveis, com resíduos e materiais espalhados pelas lajes.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima declarou que as novas construções estão fora dos limites oficiais do parque, mas garantiu que equipes realizarão vistorias na área.

Pressão sem controle

A situação na Chácara do Céu não é um caso isolado. O IBGE aponta que oito das dez favelas mais verticalizadas do Brasil estão localizadas no estado do Rio de Janeiro. Entretanto, essa expansão ocorre majoritariamente sem supervisão técnica adequada ou políticas públicas eficazes.

Em entrevista ao jornal O Globo, Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação de Moradores do Leblon, destacou que o fim do Programa de Orientação Urbanística e Social em 2018 deixou um vácuo significativo na fiscalização e no suporte técnico para as construções. Segundo ela, essa iniciativa tinha como objetivo informar os moradores sobre os limites estruturais permitidos e prevenir riscos em áreas inclinadas.

“O intuito era guiar os moradores sobre o que é permitido ou não nas edificações, visando facilitar o registro dos imóveis. Isso era extremamente benéfico para eles, pois muitos enfrentavam dificuldades com essa situação. O projeto funcionou bem durante um tempo até ser interrompido pelo governo”, comentou Rosenzweig.

Especialistas reforçam essas preocupações. Sydnei Menezes, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio, alertou ao Globo que construções realizadas sem um projeto estrutural apropriado apresentam riscos reais, especialmente quando novos andares são adicionados a edificações já existentes. Ele ressalta que mesmo imóveis inicialmente projetados com segurança podem ter sua estabilidade comprometida com alterações sucessivas.

Além dos problemas estruturais identificados, a dinâmica da área começa a se transformar. Anúncios de imóveis para aluguel temporário estão surgindo na comunidade, enfatizando a proximidade com regiões valorizadas do Leblon e o acesso à natureza; isso indica uma nova pressão sobre o território. “Dependendo da localização, o solo pode não suportar esse tipo de crescimento. Portanto, estabelecer limites à verticalização deveria ser um princípio fundamental”, afirmou Menezes.

Sobre a comunidade

A ocupação da Chácara do Céu teve início em 1920 com trabalhadores da companhia Miranda Jordão que se instalaram na região durante uma tentativa frustrada de construção de uma linha férrea no Morro Dois Irmãos. A abertura desse caminho resultou na atual Avenida Niemeyer e parte desses operários decidiu permanecer no local. O crescimento da comunidade foi intensificado na década de 1970 por meio da atuação de organizações sociais e da Igreja Católica em um período marcado por moradias precárias e falta de infraestrutura básica.

No início dos anos 1990, a região recebeu intervenções através do programa Favela-Bairro, que implantou redes de saneamento básico, melhorou o abastecimento hídrico e facilitou o acesso às áreas vizinhas.

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