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Clube Federal, localizado no Alto Leblon, é obrigado pela Justiça a realizar eleições após três décadas sem pleitos.

Decisão judicial aponta falta de transparência, cita degradação do espaço e dá 30 dias para assembleia que pode encerrar gestão concentrada desde os anos 90

Divulgue pra geral:

A Justiça do Rio de Janeiro ordenou que o Clube Federal, um tradicional ponto de encontro no Alto Leblon, realize uma Assembleia Geral dentro de um prazo de 30 dias para promover eleições em sua diretoria. Este procedimento não ocorre desde o final da década de 1990. A decisão foi proferida pela 11ª Vara Cível e resulta de uma ação iniciada por dois associados, prevendo ainda a imposição de multa caso a ordem não seja cumprida.

Na sua decisão, a juíza destacou que a falta prolongada de eleições prejudica princípios essenciais como a autonomia da associação e a gestão democrática. Além disso, ela mencionou a deterioração das instalações do clube como um dos motivos que justificam a necessidade urgente de intervenção judicial.

Essa situação revela a crise enfrentada por uma instituição que já se destacou como uma das mais procuradas da Zona Sul do Rio. Situado em uma área valorizada do Leblon, o clube lida há anos com disputas judiciais, falta de transparência nas suas operações e uma significativa redução no número de associados.

A crise se arrasta e o número de sócios diminui

Desde o ano passado, o DIÁRIO DO RIO vem monitorando as dificuldades enfrentadas pelo Clube Federal, que já contou com mais de 3 mil sócios e atualmente tem menos de cem. Esse cenário é resultado de um longo histórico marcado por problemas na governança. Não há registros de eleições periódicas desde 1994, quando Alexandre Euclydes Pinaud assumiu a presidência. Uma tentativa de votação em 1998 acabou na Justiça e, desde então, a administração está sob o controle do mesmo grupo familiar, atualmente liderado por Karla Pinaud.

Associados relatam uma notável falta de transparência na gestão do clube. Segundo eles, não existe clareza sobre os membros da diretoria nem acesso a informações fundamentais relacionadas à administração financeira e operacional da instituição.

No início deste ano, um grupo de sócios recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio e conseguiu uma decisão favorável em primeira instância que permite a realização das eleições. Paralelamente, foi apresentada outra ação exigindo que o clube disponibilizasse uma lista atualizada dos associados — documento crucial para convocar assembleias. De acordo com os autores dessa ação, a lista entregue incluía nomes de pessoas falecidas, aumentando as suspeitas sobre as práticas internas do clube.

Em abril, Bernardo Egas, secretário municipal de Administração e também associado do Clube Federal, anunciou que iria entrar com uma ação para exigir eleições imediatas. Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, ele ressaltou o estado precário do espaço que já foi considerado um dos clubes mais tradicionais da cidade.

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