Retorno do Brasileirão chama atenção para torcida reduzida
O confronto entre Mirassol e Santos nesta terça-feira marca o reinício do Brasileirão após uma pausa de quase duas semanas. A Série A, ao contrário dos anos anteriores, não esperou o término dos campeonatos estaduais para início, mas esta escolha, uma estreia no calendário de 2026, tem deixado os torcedores confusos.
Estaduais mais curtos não atraem a torcida
Ao mesmo tempo, a redução da duração dos estaduais não conseguiu atrair o público para os estádios. O Campeonato Carioca, ganho pelo Flamengo pela quadragésima vez, teve uma média de 7.120 pagantes por jogo, uma diminuição de 15,9% em comparação com 2025, período que já havia experimentado uma redução de 38,4% em relação ao ano precedente.
Em São Paulo, as arquibancadas também tinham mais cadeiras vazias. A média de 10.725 por partida é 13,5% menor que o último campeonato. Nota-se que esta queda foi cinco vezes maior do que a de 2024 para 2025, que foi de 2,7%.
Em meio ao dilema, afetação dupla
A dupla aderência à Copa do Brasil colocou o torcedor no dilema de ter que escolher entre a rivalidade local em uma competição curta e a maior relevância da série A, que só estava começando e vai até dezembro. Em caso de dúvida, os dois foram impactados.
No Carioca, o clássico entre Botafogo e Flamengo, pelas quartas de final, contou com apenas 10.133 pagantes. Já os dois confrontos entre Vasco e Fluminense, pelas semifinais, totalizaram 45.369, um número que não encheria o Maracanã em uma tarde.
Comparação dos públicos dos Estaduais e do Brasileiro em 2026
Já o Brasileirão, com jogos apenas durante a semana, suportou públicos bem inferiores aos dos últimos anos. A média atual é de 17.764 pagantes. Em 2025, o mesmo campeonato teve uma média de 22.684 nas quatro primeiras rodadas. A queda foi de 21,7%, quase um quarto a menos.
A tendência é que o Brasileiro se recupere com a volta do protagonismo no calendário e dos jogos nos fins de semana. No entanto, o impacto das quatro primeiras rodadas deve afetar a média final, o que antes era motivo de orgulho para a CBF.
Desempenho publicitário dos Estaduais
A boa notícia para os Estaduais é que essa confusão não afetou a publicidade. Pelo menos neste primeiro ano de concorrência com o Brasileirão, os campeonatos locais tiveram bom desempenho na captação de anunciantes.
Renê Salviano, CEO da agência Heatmap, explica: “São produtos diferentes. Os Estaduais são um sucesso porque têm diferentes categorias de marcas que podem aderir ao patrocínio. As gigantes nacionais precisam de presença e têm verba para isso. As empresas pequenas e médias querem estar no futebol, mas não têm verba para o Brasileiro. E as marcas locais só querem falar com o público desse estado.”
Naming rights e campeonatos regionais
Um dado que ilustra este desempenho é a questão dos naming rights. Dos 27 Estaduais, 18 fecharam esse tipo de patrocínio, que coloca o nome das marcas ao lado do nome dos próprios campeonatos.
“Dividir a atenção com o Brasileirão certamente não agrega valor. Mas isso não diminui o poder da tradição e a paixão dos brasileiros pelos campeonatos regionais”, opina Fábio Wolff, sócio da agência Wolff Sports.



