A Polícia Federal revelou que descobriu mensagens que indicam a atuação de Álvaro Barcha Cardoso, um suposto operador da Refit, que teria fornecido orientações a auditores do Governo do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com as investigações, Cardoso funcionava como um lobista do grupo, mantendo contato com a Secretaria de Estado de Fazenda e exercendo influência sobre decisões tomadas durante o mandato do ex-governador Cláudio Castro.
Essas informações constam na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a realização de mandados de busca e apreensão em locais associados a Castro e membros da administração estadual. O despacho também determinou a prisão preventiva de Ricardo Magro, controlador da Refit, que está considerado foragido por estar fora do Brasil.
Uma das conversas mencionadas pela PF mostra Álvaro Barcha Cardoso instruindo um auditor sobre o registro de uma empresa que, conforme os investigadores, não pertencia ao grupo favorecido. “Só para dizer. Mantém cassada”, teria escrito Cardoso, segundo os dados obtidos.
O auditor então respondeu que poderia bloquear a inscrição estadual da referida empresa. “Só o chefe mandar o processo pra mim q eu impeço a inscrição estadual. E ainda cancelo recadastramento dela”, declarou o auditor, conforme relatado pela Polícia Federal. Em resposta, o operador disse: “Show”.
PF observa interferência na Secretaria de Fazenda
A investigação aponta que arquivos no celular de Álvaro Barcha Cardoso revelam ele exibindo grandes quantias em dinheiro. A PF destaca que ele tinha estreitas relações com auditores fiscais, subsecretários e com o ex-secretário da Fazenda, Juliano Pasqual.
Para os investigadores, essa conexão foi utilizada para influenciar processos administrativos, antecipar decisões e orientar ações dentro da secretaria, além de afetar a distribuição de servidores em setores estratégicos.
Na decisão de Alexandre de Moraes, é destacado que “a análise demonstra que Álvaro mantém relações pessoais e operacionais com auditores fiscais e com o próprio Secretário de Fazenda”, utilizando essa rede para possivelmente intervir em processos administrativos sensíveis e influenciar alocação de servidores em áreas críticas.
A PF também argumenta que durante a gestão de Juliano Pasqual à frente da Fazenda, houve uma mudança na atuação da secretaria em favor dos interesses do Grupo Refit. Os investigadores acreditam que as ações da secretaria facilitaram as operações do grupo enquanto dificultavam a concorrência no mercado fluminense.
“Assim, os documentos analisados consolidam a ideia de que a Secretaria de Estado da Fazenda, sob Juliano Pasqual – nomeado por Cláudio Castro – tornou-se uma extensão da estrutura empresarial do Grupo Refit”, afirma a Polícia Federal na decisão.
Investigação foca na relação entre Refit e governo Castro
No mesmo despacho mencionado anteriormente, a Polícia Federal apontou que Cláudio Castro teria utilizado os recursos estaduais para favorecer os interesses da Refit sob a liderança de Ricardo Magro. Os investigadores alegam que o governo mobilizou diferentes órgãos para atender às demandas do conglomerado durante sua gestão.
A operação se insere no contexto das investigações sobre possíveis fraudes no setor de combustíveis, ocultação patrimonial e evasão fiscal. A antiga Refinaria de Manguinhos é um dos principais focos das apurações.
Defesa de Castro refuta acusações
A defesa do ex-governador Cláudio Castro manifestou surpresa diante das operações realizadas e afirmou ainda não ter tido acesso aos detalhes dos pedidos relacionados às buscas e apreensões. Segundo os advogados, ele está à disposição das autoridades judiciais e nega qualquer irregularidade.
“Todos os procedimentos realizados durante sua administração seguiram critérios técnicos e legais estabelecidos pela legislação vigente”, garantiu a defesa em nota oficial. Eles acrescentaram que as ações estavam alinhadas às normas pertinentes à política fiscal do estado.
A defesa ressaltou ainda que apenas durante sua gestão foi possível garantir o pagamento das dívidas da Refinaria de Manguinhos com o estado. “É importante ressaltar que foi sob Cláudio Castro que se conseguiu assegurar pagamentos totais próximos a R$ 1 bilhão”, afirmaram os advogados.
Conforme informado pelos advogados, o parcelamento das dívidas está suspenso devido a uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Além disso, eles mencionaram que foram movidas ações contra a Refit durante toda a administração.



