O Niterói Shopping, um ícone do comércio e da cultura no coração de Niterói por várias décadas, enfrenta um dos períodos mais críticos de sua trajetória. Com suas passagens desertas, lojas fechadas e a movimentação drasticamente reduzida, o centro comercial busca alternativas para se reinventar em meio à crise que afeta o comércio local nos últimos anos. Atualmente, das 109 lojas localizadas em seus três andares, 69 estão vazias, representando 63% da área comercial sem atividade.
Aqueles que visitam o shopping hoje se deparam com uma realidade bem diferente da agitação que caracterizou o local em épocas passadas. Tradicionalmente conhecido por sediar shows, eventos culturais e atrair um grande número de consumidores, o espaço atualmente exibe uma atmosfera de abandono. No segundo andar, onde ainda funciona o famoso restaurante português Vila Melgaço, a praça de alimentação está quase deserta, com apenas um estabelecimento operando.
Funcionários e lojistas comentaram que a queda no movimento foi acentuada após a pandemia de Covid-19. Um garçom do restaurante, que preferiu manter sua identidade em sigilo, relembrou os dias em que artistas competiam para se apresentar no palco montado nos corredores do shopping. “Depois da pandemia, a situação piorou consideravelmente. Hoje, a maioria das pessoas que circula aqui trabalha nas salas comerciais do prédio. É triste ver como tudo mudou”, relatou ele.
Recentemente, uma interrupção no fornecimento de energia no prédio agravou ainda mais essa situação ao diminuir a circulação de pessoas e forçar a liberação dos funcionários das salas comerciais nos andares superiores.
Apesar dos desafios enfrentados, a administração do shopping assegura que está empenhada na recuperação do empreendimento. Sob a liderança de Leonardo Mariano, que está à frente da gestão há dois anos, acredita-se na possibilidade de revitalizar parte da importância comercial perdida ao longo do tempo. As estratégias incluem reformas estruturais e melhorias nas áreas comuns, além da busca por novos parceiros comerciais para preencher os espaços vagos.
“O shopping sofreu bastante com a inadimplência, especialmente após a pandemia. Estamos colaborando com uma empresa parceira para captar operações estratégicas e também investindo em melhorias como reformas nos elevadores e áreas comuns. Em breve teremos novidades”, afirmou o administrador.
Organizações ligadas ao comércio niteroiense também vislumbram indícios de recuperação lenta na região central da cidade. Charbel Tauil, presidente do Sindicato dos Lojistas de Niterói (Sindilojas), acredita que novos investimentos tanto públicos quanto privados podem reerguer o comércio local novamente.
“O Centro esteve negligenciado por muito tempo. Agora percebemos uma nova abordagem, com intervenções em áreas vitais como a Rua da Conceição e a Avenida Amaral Peixoto. A chegada de novos empreendimentos residenciais também deve contribuir para acelerar a recuperação da região”, avaliou.
Luiz Vieira, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, destaca o valor simbólico do shopping para a cidade e menciona que sua fragilidade é reflexo das dificuldades enfrentadas pelo comércio tradicional no Centro. “O Niterói Shopping sempre teve um papel estratégico por estar integrado ao maior edifício comercial da cidade. Mesmo com um número reduzido de lojas, o fluxo gerado pelas salas comerciais fortalecia o comércio circundante. O momento atual é desafiador; porém, o potencial da região permanece”, declarou.
Enquanto busca recuperar tanto os espaços ocupados quanto o público frequentador, o shopping aposta na revitalização do Centro de Niterói como elemento essencial para reverter seu declínio e evitar que esse importante espaço se torne apenas uma recordação do passado.



