Em março de 2026, o transporte público do Rio de Janeiro alcançou um marco notável. Conforme os dados do Painel de Bilhetagem Digital Jaé, a cidade contabilizou 81,8 milhões de passageiros em um só mês, representando um expressivo aumento de 27% em comparação a fevereiro. O total acumulado já ultrapassa 701 milhões de usuários, evidenciando uma rede que, apesar dos desafios constantes, demonstra sinais positivos de recuperação e integração, com uma taxa de utilização de benefícios e integrações que chega a impressionantes 36,68%.
O Terminal Intermodal Gentileza (TIG) se consolidou como o principal hub logístico da cidade, liderando a eficiência no sistema. Com mais de 7,8 milhões de transações registradas, o terminal ocupa o primeiro lugar no ranking das estações do BRT, ultrapassando hubs tradicionais como Alvorada e Jardim Oceânico. Esse crescimento reflete na popularidade de linhas como a 606 (Terminal Gentileza x Engenho de Dentro), que se tornou a segunda linha convencional mais utilizada da capital, com uma média mensal de 804 mil passageiros.
A competição “ponto a ponto” nas ruas está cada vez mais acirrada, mesmo com o desempenho positivo do sistema macro. O ranking das linhas convencionais sofreu alterações significativas. A linha 371 (Praça da República x Praça Seca) continua na liderança isolada com 932 mil passageiros mensais; no entanto, a linha 457 (Abolição x Copacabana) foi o grande destaque do mês ao entrar no Top 10 pela primeira vez, ocupando agora a sétima posição e evidenciando a relevância da ligação direta entre o subúrbio da Zona Norte e a orla da Zona Sul.
Outra mudança notável foi a ascensão da linha 422 (Grajaú x Cosme Velho), que conseguiu desbancar a linha 302 do grupo das 20 mais utilizadas. Dentro da Viação Alpha, a linha 426 (Usina x Jardim de Alah) continua à frente da linha 415 (Usina x Leblon), indicando uma preferência consolidada dos moradores da Tijuca pela rota que passa pelo Jardim de Alah.
Na Zona Oeste, a Viação Jabour está passando por um fenômeno interessante de competição interna. A disputa entre as linhas 864 (Terminal Sulacap x Campo Grande) e SP864 (Campo Grande x Bangu) mostra que a demanda na região é intensa: ambas estão no Top 20 e muito próximas uma da outra. Apesar da introdução recente de novos serviços parciais, a tradicional linha 918 (Bonsucesso x Bangu) conseguiu retornar ao ranking, demonstrando que os usuários da Avenida Brasil ainda preferem as linhas troncais para longos trajetos.
No aspecto financeiro, o painel do sistema Jaé revela que as operações movimentam cifras significativas, com uma receita total estimada em R$ 1,7 bilhão. Embora o cartão físico permaneça predominante — gerando R$ 1,1 bilhão dessa arrecadação — o uso de tecnologias como QR Code e NFC está crescendo gradualmente.
O perfil dos usuários mostra-se diversificado: cerca de 69% dos passageiros pagam tarifa integral enquanto aproximadamente 31% utilizam gratuidades destinadas a idosos, estudantes e pessoas com deficiência. Os horários de pico continuam concentrados às 7h e às 17h, apresentando um desafio contínuo para equilibrar oferta e demanda durante os momentos mais críticos.



