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Quirinas: Uma Nova Perspectiva sobre as Heroínas do Trabalho Doméstico na Literatura Brasileira

Contemplada no Prêmio Capes de Tese, pesquisa da UFF mapeia 37 mulheres de contos e romances publicados entre 1859 e 2024; primeira protagonista só surgiu em 2018

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De acordo com dados do IBGE, o Brasil conta com aproximadamente 7 milhões de profissionais atuando como babás, faxineiras, cozinheiras, lavadeiras, diaristas e cuidadores de idosos. A maioria dessas trabalhadoras é composta por mulheres negras, em situação de vulnerabilidade econômica e muitas vezes chefes de família. Essa categoria representa a maior força de trabalho no país, mas também é a mais vulnerável, com os menores salários e uma baixa taxa de aposentadoria. Herdado da escravidão, o trabalho doméstico se tornou tão vital que foi classificado como “essencial” durante a pandemia de Covid-19, resultando em um aumento trágico das mortes entre essas profissionais. A ativista francesa Françoise Vergès resume essa realidade ao afirmar que “são as mulheres invisíveis que abrem o mundo”.

O lançamento do livro será marcado por uma conversa online entre Mariana Filgueiras, a orientadora da pesquisa Profa. Dra. Eurídice Figueiredo (UFF) e Profa. Dra. Eliza Araújo (UFF), programada para às 18h no canal do YouTube “Estudos da Literatura” da UFF, disponível em @EstudosdeLiteraturaUFF.

Diante da presença contínua das trabalhadoras domésticas nos lares brasileiros desde o final do século XIX e considerando a importância desse trabalho, por que elas são tão pouco representadas na literatura? Essa provocação impulsionou a pesquisa de doutorado da jornalista Mariana Filgueiras na Universidade Federal Fluminense. Sua tese foi premiada no Prêmio Capes de Tese 2025 e agora resulta no livro intitulado “Quirinas: a trabalhadora doméstica como protagonista na literatura brasileira contemporânea”, com lançamento agendado para 16 de abril. O livro já está disponível para download gratuito no site da editora Pangeia.

A obra “Quirinas”, com capa elaborada por Manuela Navas, examina obras como Perifobia (Lilia Guerra, 2018), Com armas sonolentas (Carola Saavedra, 2019), Suíte Tóquio (Giovana Madalosso, 2020) e Solitária (Eliana Alves Cruz, 2022). Mariana considera esses romances pioneiros na literatura brasileira ao colocar as trabalhadoras domésticas como protagonistas centrais das narrativas. Em cada um desses livros, as personagens têm suas subjetividades exploradas e suas histórias familiares entrelaçadas nas tramas, oferecendo novas perspectivas sobre o trabalho doméstico.

Mariana observa que “o trabalho doméstico se torna um elemento narrativo importante, uma ação dentro do enredo que cria cenas originais e provoca diálogos e reflexões de maneira orgânica, sem ser meramente panfletário ou didático”.

<pEntretanto, a autora destaca os perigos associados à reabilitação das personagens em relação ao que ela denomina “estereótipos positivos”.

“A socióloga Patricia Hill-Collins introduz um conceito essencial neste debate: ‘imagens de controle’, referindo-se a estereótipos que limitam as personagens tanto negativamente quanto positivamente. Ao tentar ressuscitar figuras esquecidas por anos, é fundamental evitar o risco de criar heroínas cujas ações se tornem previsíveis e desprovidas de falhas ou contradições. Isso acaba desumanizando essas figuras”, conclui Mariana.

Sobre o livro “Quirinas: a trabalhadora doméstica como protagonista na literatura brasileira contemporânea” (Editora Pangeia/EdUff), ele foi contemplado pelo edital Coleção Ensaios Egressos 2025.2 – POSLIT/UFF – Capes e está disponível para download gratuito no site da editora Pangeia: Clique aqui para acessar.

A pesquisa premiada pela Capes mapeou 37 mulheres presentes em contos e romances publicados entre 1859 e 2024; curiosamente, a primeira protagonista surgiu apenas em 2018.

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