Desde o dia 2 de abril, os servidores do Detran-RJ estão em greve, impactando diretamente os usuários com uma série de serviços paralisados no Rio de Janeiro. Nesta terça-feira (07/04), funcionários do departamento realizaram uma manifestação na Avenida Presidente Vargas, localizada no Centro, enquanto muitos que tentam regularizar a habilitação enfrentam grandes dificuldades em razão da greve.
A situação se complicou ainda mais devido a uma falha técnica ocorrida na última segunda-feira, que foi atribuída a uma tentativa de ataque cibernético. O Detran-RJ confirmou que essa ocorrência prejudicou os sistemas relacionados à habilitação e aos veículos, resultando no cancelamento de provas práticas de direção e na suspensão de atendimentos como renovação de carteira e transferência de propriedade. O órgão afirmou que já recuperou o sistema e está investigando o caso.
Impacto nos atendimentos e relatos dos usuários
A junção da greve com a instabilidade técnica causou dificuldades para candidatos que não conseguiram realizar seus exames práticos. Diferentes locais da cidade relataram a escassez de examinadores, impossibilitando a aplicação dos testes. Em Sepetiba, na Zona Oeste, uma instrutora observou veículos de autoescola parados sem realização de provas. No posto Aerotown, na Barra da Tijuca, aproximadamente 200 pessoas ficaram sem atendimento devido à falta de profissionais.
A paralisação afeta apenas os servidores, permitindo que parte das operações continue funcionando. Os serviços de Identificação Civil seguem operando normalmente, assim como algumas atividades relacionadas à habilitação e veículos que são realizadas por equipes terceirizadas. Contudo, as provas práticas e eletrônicas – que dependem exclusivamente dos servidores – estão suspensas, assim como algumas vistorias que requerem licenciadores.
Para aqueles impactados pela situação, o Detran orienta que os candidatos à habilitação que não puderam realizar a prova prática serão remanejados para novas datas. Já os que perderam exames teóricos devem agendar novamente suas provas. Nos demais casos, usuários poderão retornar à mesma unidade em até cinco dias úteis após a normalização dos serviços sem necessidade de nova marcação.
A greve foi decidida em assembleia realizada no dia 30 de março pelo Sindicato dos Funcionários do Detran. A categoria reivindica melhorias após alegações de descumprimento de acordos judiciais e tentativas infrutíferas de negociação com o Governo do Estado. Inicialmente, a paralisação começou como um ponto facultativo para informar a sociedade sobre a situação antes de passar a ter efeitos práticos nos dias seguintes.
Entre as principais reclamações dos servidores estão as precárias condições de trabalho nas unidades. Eles destacam problemas como falta de estrutura básica, móveis danificados, ausência de manutenção adequada, ventilação deficiente e falta de banheiros ou bebedouros nas áreas destinadas aos exames. Segundo o sindicato, o objetivo da paralisação é garantir direitos trabalhistas e aprimorar a qualidade do serviço oferecido à população.



