O Palácio das Laranjeiras, um dos principais marcos históricos do Rio de Janeiro e atual sede do governo estadual, reabrirá suas portas para o público em geral a partir de junho. Desde 2020, o local estava fechado, mas começou um processo gradual de reabertura em maio, recebendo visitas de grupos de estudantes da rede pública e instituições escolhidas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).
A iniciativa de reabertura visa ampliar o acesso a bens culturais e históricos, permitindo que a população conheça mais sobre um dos palacetes mais significativos da cidade, que é tombado tanto pelo Inepac quanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Erguido entre 1909 e 1913 para abrigar a família Guinle, uma das mais tradicionais famílias empresariais do Brasil, o palácio foi projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire. Ele também é responsável por obras icônicas da cidade, como o Copacabana Palace e o Hotel Glória. A arquitetura do edifício reflete a influência neoclássica dos palácios europeus do início do século XX, com amplos jardins e interiores luxuosos.
No ano de 1946, o imóvel se transformou na residência presidencial, recebendo diversos chefes de Estado ao longo da história brasileira, incluindo Juscelino Kubitschek e João Goulart. Em 1974, foi cedido ao Estado do Rio de Janeiro e passou a ser utilizado como residência oficial dos governadores.
O interior do palácio abriga um acervo considerado de grande valor histórico e artístico, composto por móveis, tapeçarias, porcelanas, esculturas e pinturas que narram diferentes períodos da história nacional. Entre as obras notáveis estão peças atribuídas a artistas como Frans Post, Nicolas-Antoine Taunay e Moretto da Brescia, além de raridades da coleção da antiga elite carioca.
Os ambientes internos conservam elementos originais com alto nível de requinte, incluindo mosaicos em mármore e cerâmica adornados com ouro, lustres importados, vitrais franceses e mobiliário oriundo tanto da Europa quanto do Brasil dos séculos XIX e XX. Um item curioso é uma réplica de um piano que se acredita ter pertencido à rainha Maria Antonieta.
Outro ponto forte do Palácio é a sua arquitetura paisagística nos jardins que se conectam ao Parque Guinle. Com lagos artificiais e áreas verdes cuidadosamente planejadas segundo modelos europeus, o local ainda oferece vistas deslumbrantes para ícones cariocas como a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar.
Dentre os elementos históricos preservados no palácio destaca-se o primeiro elevador elétrico instalado no Brasil e espaços que remetem à realeza europeia. Um exemplo é uma escrivaninha inspirada em Luís XIV e salas decoradas com influências marcantes da Belle Époque.
A partir de junho, as visitas ao Palácio das Laranjeiras poderão ser agendadas através dos canais oficiais do governo estadual. Detalhes sobre o sistema de reserva serão anunciados em breve.
Serviço:
Palácio das Laranjeiras
Avenida Paulo César de Andrade, 407 — Laranjeiras



