A crescente utilização de celulares e fones de ouvido por motoristas e pedestres tem gerado uma diminuição da atenção nas áreas urbanas, aumentando a probabilidade de acidentes nas metrópoles. No cotidiano do VLT Carioca, que opera no Centro do Rio de Janeiro, é comum observar pessoas atravessando fora das faixas de pedestres, distraídas e alheias à chegada do trem, mesmo com os sinais sonoros sendo acionados.
Essa situação levanta um alerta sobre a necessidade de uma convivência mais segura com o sistema. Como o VLT não possui vias exclusivas, seus trilhos precisam dividir espaço com ciclistas, veículos e pedestres, o que demanda uma atenção extra de todos os envolvidos, apesar das sinalizações que indicam a prioridade da via.
No ano de 2024, foram contabilizadas 18 ocorrências envolvendo colisões entre veículos e pedestres, resultantes de infrações como avanço de sinal e ocupação inadequada dos trilhos. Em 2025, esse número cresceu para 23 incidentes, representando um aumento aproximado de 28%.
Somente no primeiro trimestre deste ano já foram registrados cinco casos. As principais causas permanecem sendo a distração causada pelo uso de dispositivos eletrônicos e o acesso indevido às vias do VLT, frequentemente relacionados ao desrespeito às regras de trânsito, como avanço de sinal e conversões proibidas. A Linha 4 é o trecho que concentra o maior número de ocorrências e continua sendo considerado o mais crítico em termos de segurança.
Outro fator alarmante é o aumento das frenagens bruscas (quando os condutores precisam parar rapidamente o trem para prevenir acidentes). Em 2025, foram anotadas 470 situações desse tipo, um crescimento de 16% em comparação ao ano anterior. Nos primeiros três meses deste ano, já ocorreram 122 episódios. Embora essenciais para evitar tragédias, essas manobras têm um impacto direto na operação do sistema, especialmente na pontualidade dos intervalos entre os trens, afetando a experiência dos passageiros.
A diretora do VLT Carioca, Sílvia Bressan, destacou: “Quando há ocupação indevida da via, os operadores são obrigados a reduzir a velocidade ou até realizar frenagens emergenciais para garantir a segurança de todos. Isso provoca atrasos no deslocamento e prejudica a regularidade da operação, impactando diretamente o dia a dia dos usuários.”
Em resposta a essa realidade preocupante, o VLT intensificou suas ações de comunicação visual nas estações e nos trens. Além disso, campanhas educativas foram ampliadas junto com alertas sonoros mais frequentes e treinamentos contínuos para os condutores focados em ações preventivas e respostas rápidas em situações críticas.
A concessionária também enfatizou a necessidade da colaboração da população na busca por segurança coletiva. Recomenda-se que as pessoas evitem usar celulares durante as travessias e ao dirigir veículos; retirem os fones de ouvido ao se aproximar da via do VLT; além disso, devem sempre respeitar as sinalizações e os alertas sonoros emitidos pelo sistema.



