A gestão de Ricardo Couto de Castro como governador interino do Rio de Janeiro tem se destacado por sua postura de afastamento. Nomeado para o cargo em meio a uma crise político-administrativa e judicial, o presidente do Tribunal de Justiça adotou uma abordagem que foge dos padrões tradicionais de atuação do poder executivo.
Ao contrário do que se esperava, Couto não está realizando suas atividades no Palácio Guanabara, sede oficial do governo fluminense. Em vez disso, ele decidiu estabelecer sua base de operações no Palácio da Justiça, situado na Avenida Erasmo Braga, onde mantém seu gabinete dentro das instalações do TJRJ.
Nesse ambiente, ele se reúne com o secretário-chefe da Casa Civil, Marco Simões. Informações obtidas nos bastidores revelam que essas reuniões são limitadas e ocorrem geralmente uma vez ao dia. O acesso ao governador interino é bastante restrito, e poucos membros do primeiro escalão conseguiram se encontrar com ele desde sua posse.
Essa postura já começa a refletir na administração pública. Nos últimos 19 dias, a assinatura do governador em atos relacionados à gestão orçamentária — como remanejamentos e suplementações — praticamente desapareceu. Como consequência, vários projetos e serviços que dependem da realocação de recursos estão temporariamente paralisados. No entanto, as licitações e novos contratos que não exigem a assinatura direta de Couto continuam a ser realizados pelas secretarias e órgãos governamentais.
Para deputados e líderes políticos, Ricardo Couto se tornou uma figura enigmática. Diferente dos governadores eleitos, ele não promoveu audiências regulares com parlamentares nem construiu um círculo político ao seu redor.
A única exceção notável ocorreu na quarta-feira (08), quando ele se reuniu com prefeitos das cidades produtoras de petróleo para discutir a perda potencial dos royalties estaduais. Fora esse evento específico, o governador interino continua isolado.
Esse distanciamento foi evidente também durante a inauguração parcial do novo Museu da Imagem e do Som em Copacabana. Por decisão dele, somente o presidente da Alerj, Guilherme Delaroli, foi convidado entre os deputados; nenhum outro parlamentar recebeu convite.
No evento, apenas cinco integrantes do secretariado ligados diretamente ao museu compareceram. A audiência foi predominantemente composta por magistrados e algumas figuras destacadas da cultura local, incluindo Merval Pereira, presidente da Academia Brasileira de Letras.
Após a cerimônia, um coquetel foi oferecido; no entanto, muitos convidados decidiram deixar o local antes mesmo do término. Essa situação ilustra o clima atual: sem agenda política ativa, sem interações no Palácio Guanabara e sem encontros sociais significativos. Assim, Ricardo Couto vai moldando sua imagem como um governador provisório que opta por governar à distância — até agora utilizando a palavra “não” como principal estratégia.



