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Fiocruz lança Galeria ao Ar Livre com obras de João Roberto Ripper

A Fiocruz inaugura, na próxima segunda-feira (15/6), a Galeria a Céu Aberto, um espaço de exposições e convivência para valorizar a relação entre fotografia, saúde e direitos humanos. A exposição Humanidades marca a abertura do espaço, reunindo 20 fotografias do acervo de João Roberto Ripper, fotógrafo com mais de 50 anos dedicados à defesa dos […]

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Na próxima segunda-feira, 15 de junho, a Fiocruz dará início à Galeria a Céu Aberto, um novo espaço destinado a exposições e interação, que busca destacar a conexão entre fotografia, saúde e direitos humanos. Para marcar essa inauguração, será apresentada a mostra Humanidades, que reúne 20 imagens do acervo do fotógrafo João Roberto Ripper, um profissional com mais de cinco décadas dedicadas à luta pelos direitos humanos e à preservação da história brasileira. A curadoria é realizada pelo fotógrafo e educador Dante Gastaldoni. O espaço está localizado no gramado lateral da Biblioteca de Manguinhos, na cidade do Rio de Janeiro.

Idealizada pelo pesquisador Rodrigo Murtinho da Fiocruz e com o apoio financeiro da Fiotec e da Presidência da instituição, esta iniciativa integra as comemorações dos 126 anos da Fiocruz e dos 40 anos do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict). O evento reafirma o compromisso da organização com a valorização do patrimônio cultural, a disseminação do conhecimento e o fortalecimento dos direitos humanos.

Rodrigo Murtinho compartilha que a ideia para essa galeria surgiu em uma viagem a Montevidéu, no Uruguai, em 2018. Durante uma visita ao Parque Rodó, ele se impressionou com uma exposição de fotos sobre refugiados em um espaço aberto. Ao investigar mais sobre o assunto, descobriu várias galerias semelhantes geridas por um centro local de fotografia. “Eu imaginei uma exposição do Ripper ao ver aquele ambiente. Quando voltei para o Brasil e observei o gramado ao lado da Biblioteca de Manguinhos, percebi que havia encontrado o local perfeito para implementar meu projeto”, recorda Murtinho.

Para Ripper, essa exposição representa uma chance de refletir sobre a realidade vivida pelos brasileiros. “Desejo que as fotografias impactem as pessoas e provoquem reflexões sobre as condições enfrentadas pela maioria da população no Brasil. Essa realidade é marcada por uma resistência admirável à felicidade, mas também pela ausência do Estado e sua conivência diante de um cenário de grande violência”, ressalta.

Ripper enfatiza que a narrativa histórica do Brasil não pode ser contada sem os registros dos fotógrafos populares. “É um chamado pelos direitos humanos, essenciais para qualquer país, algo que parece frequentemente esquecido pelo Estado. É fundamental que instituições como a Fiocruz tragam à tona esse clamor por direitos muitas vezes negligenciados ou ocultados. Minha obra encontra seu lugar aqui, e me sinto honrado por apresentar essas imagens que podem permanecer na memória coletiva e estar acessíveis a mais pessoas”, acrescenta.

Dante Gastaldoni define a curadoria da exposição como uma representação da abordagem humanista e popular adotada pelo fotógrafo: “Ripper pertence a uma escola de ‘fotografia humanista’, combinada com o que atualmente chamamos de ‘fotografia popular’. Essa perspectiva comprometida com as lutas sociais tem sido a essência do seu trabalho nos últimos 50 anos. Embora ‘fotografia popular’ sugira uma totalidade abrangente, decidimos utilizar ‘Humanidades’ no plural para enfatizar a diversidade e reforçar o campo das Ciências Humanas”, explica o curador.

Gastaldoni destaca que os visitantes encontrarão na mostra um passeio por diversas expressões culturais brasileiras. “Aqueles que conhecerem ‘Humanidades’ irão se aprofundar nas nuances do Brasil profundo e esperamos que saiam renovados em seus laços identitários. Ao explorarmos as culturas indígenas, manifestações populares e outras comunidades tradicionais, percebemos que a verdadeira beleza não está no poder aquisitivo – como muitas vezes acreditamos – mas sim nas lutas diárias e nos laços afetivos que nos sustentam”, observa.

“A obra de Ripper abrange múltiplas facetas; ela alterna entre denúncias sobre trabalho escravo e o carinho com que retrata o povo brasileiro. Portanto, decidimos apresentar um resumo desse trabalho baseado nessa dualidade enquanto mantemos evidenciada a beleza intrínseca do povo brasileiro presente nas imagens selecionadas”, conclui Gastaldoni.

Por mais de cinco décadas, Ripper tem documentado as batalhas dos povos em todo o Brasil, capturando sua beleza e diversidade nas áreas rurais e urbanas, entre comunidades tradicionais, povos indígenas e favelas. Sua obra inclui retratos de conflitos agrários, denúncias sobre trabalho escravo, ações sindicais e eventos históricos – todos eles farão parte da exposição. Esses registros estão disponíveis no Acervo João Roberto Ripper na Fiocruz Imagens. O projeto integra as iniciativas de Acesso Aberto da Fiocruz visando à preservação e divulgação do trabalho desse fotodocumentarista renomado, totalizando aproximadamente 140 mil imagens em película.

Novo espaço dedicado à arte e convivência

A Galeria a Céu Aberto ocupa cerca de 330 metros quadrados com 22 faces expositivas e foi concebida pelo arquiteto Gustavo Guimarães da Coordenação-Geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic/Fiocruz). “Quando a cultura passa a fazer parte das rotinas diárias das pessoas, torna-se mais acessível e enriquece o cotidiano institucional tanto para quem trabalha quanto para quem visita o campus. A Galeria demonstra como uma intervenção simples pode expandir as possibilidades de uso desse espaço ao criar um ambiente propício para pausas, encontros e apreciação cultural enquanto valoriza memória histórica através da fotografia”, conclui Guimarães.

Serviço:
Inauguração da Galeria a Céu Aberto e da exposição Humanidades
Data: 15/06 (segunda-feira)
Horário: A partir das 9h.
Mesa institucional contará com as presenças do fotógrafo João Roberto Ripper, do curador Dante Gastaldoni além de representantes da Fiocruz.

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