No dia 23 de maio, o Museu do Jardim Botânico dará início à exposição “Ser(tão): Imersão no Cerrado”, uma criação da artista visual Flavia Daudt. A mostra apresenta uma combinação de fotocolagens, instalações e arte sonora, proporcionando um percurso sensorial pelo Cerrado, um dos biomas brasileiros mais ricos em biodiversidade e também um dos mais ameaçados. A entrada será livre para todos os visitantes.
Essa exposição se espalha por diversas áreas do museu e oferece uma travessia simbólica através de elementos da terra, água e ar. Desde 2021, Flavia Daudt, em colaboração com Ana Paula Freitas Valle, tem realizado pesquisas e viagens que resultaram em obras inspiradas nas paisagens, espécies e comunidades que habitam o Cerrado.
O Cerrado abrange aproximadamente 25% do território nacional e abriga nascentes essenciais para o Brasil. Entretanto, enfrenta sérios problemas devido ao desmatamento e à expansão da agropecuária. A proposta da exposição é explorar esse contraste entre a força, a beleza e a vulnerabilidade do bioma, buscando unir arte, ciência e conservação ambiental.
Fotocolagens, raízes bordadas e sons da água
Logo na entrada do museu, os visitantes serão recebidos pela instalação “Um Cerrado Assim”, concebida por Ana Paula Freitas Valle. Esta obra apresenta grandes fotocolagens de Flavia Daudt impressas em seda e organza, com dimensões que chegam a quase três metros de altura.
A instalação recria as paisagens do Cerrado de maneira poética e inclui esculturas inspiradas em cupinzeiros, criadas pelo artista convidado Willy Reuter, intensificando a sensação de imersão no bioma.
Outro ponto alto da mostra é “Terra que Guarda”, uma instalação imponente de oito metros que ocupa a escadaria principal do Museu do Jardim Botânico. Esta obra traz a representação grandiosa de uma árvore cujas raízes foram bordadas pela artista Mirele Volkart. A instalação se estende desde o pé-direito até o térreo e é acompanhada por uma composição sonora que reproduz o som das águas, criada por Joe Stevens.
Aves do Cerrado ganham destaque na mostra
<pNo primeiro andar da exposição, há uma homenagem ao joão-de-pau, uma ave típica do Cerrado brasileiro. Um grande ninho imersivo feito de madeira será montado utilizando galhos provenientes de poda sustentável das árvores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro; essa parte é resultado do trabalho do artista convidado Ricardo Siri.
Além disso, os visitantes encontrarão na parede uma fotocolagem de Flavia Daudt juntamente com um painel elaborado pelo ornitólogo Luciano Lima que apresenta aves desse bioma. A instalação também incluirá o canto de várias espécies, enriquecendo a experiência sonora oferecida pela mostra.
Grazielle Giacomo, gerente técnica do Museu do Jardim Botânico, destaca que essa exposição fortalece a relação entre conhecimento científico e expressão artística. “A arte desempenha um papel crucial na divulgação científica ao criar conexões emocionais e sensoriais com temas que muitas vezes são apresentados apenas como dados ou estatísticas. No Museu do Jardim Botânico, acreditamos nessa intersecção entre ciência e arte como forma de despertar interesse, sensibilizar os visitantes e ampliar as discussões sobre a urgência da conservação da biodiversidade”, afirma Grazielle.
O Museu do Jardim Botânico conta com patrocínio master da Shell Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Sua gestão é realizada pelo IDG – Instituto de Desenvolvimento e Gestão. Inaugurado em março de 2024, o museu oferece exposições diversas, conteúdos interativos e programação educativa relacionados ao trabalho realizado pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro voltados para pesquisa e preservação da flora brasileira.
Serviço
Exposição: Ser(tão): Imersão no Cerrado
Local: Museu do Jardim Botânico
Abertura: 23 de maio de 2026
Visitação: De quinta a terça-feira, das 10h às 18h
Última entrada: 17h
Entrada: Gratuita



