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Controvérsia das lixeiras laranja: críticas levam Comlurb a reavaliar sua abordagem no Rio

Instalados para modernizar a coleta, equipamentos acumulam reclamações por mau uso, sujeira e impacto urbano; companhia promete ajustes e nova padronização

Divulgue pra geral:

Os “laranjões”, grandes contêineres instalados pela Comlurb, estão presentes em calçadas, esquinas e até nas praias do Rio de Janeiro. Embora sua intenção seja modernizar a coleta de lixo e diminuir a sujeira nas ruas, esses equipamentos têm gerado críticas por parte de moradores e comerciantes. Problemas como uso inadequado, falta de manutenção e localização imprópria têm levado a empresa a considerar mudanças no design e na coloração das estruturas. Informações sobre o assunto foram divulgadas por uma fonte confiável.

Com uma capacidade que pode chegar a 1.200 litros, já existem aproximadamente 15 mil desses contêineres espalhados pela cidade, com mais 20 mil unidades previstas para serem instaladas até o final do ano. A Comlurb afirma que a colocação dos contêineres é baseada em critérios técnicos, como o fluxo de pessoas e o volume de resíduos nas áreas. No entanto, muitos bairros mostram uma realidade diferente: lixeiras abertas, cheias e cercadas por entulho, além de móveis descartados indevidamente e lixo espalhado ao redor.

No bairro de Copacabana, na Zona Sul, os residentes relataram problemas constantes com os “laranjões”. Eles mencionam que esses contêineres causam mau cheiro, poluição visual e barulho excessivo durante as coletas noturnas. Além disso, há insatisfação quanto à instalação em calçadas estreitas que dificultam a passagem de pedestres e comprometem a acessibilidade.

A situação é agravada pelo uso inadequado dos equipamentos. Apesar da recomendação para que sejam depositados apenas sacos de lixo doméstico nos contêineres, é comum encontrar itens como colchões e móveis descartados erroneamente. Em um relato chocante de moradores, foi encontrado um cachorro morto dentro de um contêiner; em outra situação, um cofre pesando cerca de 200 quilos foi jogado em uma lixeira na Zona Sul. Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, defende que o modelo precisa ser adaptado à realidade local: “Esses contêineres são pesados e seu manuseio se torna complicado e barulhento quando estão cheios, especialmente à noite. O mau cheiro é outro problema sério devido à dificuldade na limpeza”, comentou.

Além das questões estruturais, o comportamento da população também contribui para os problemas enfrentados. Em Botafogo, moradores e comerciantes observam o descarte indevido de materiais não permitidos nos contêineres. Itens como móveis velhos, colchões e resíduos orgânicos são frequentemente deixados dentro ou ao redor das lixeiras. Regina Chiarádia, presidente da Associação de Moradores de Botafogo, destaca a falta de informações sobre o uso correto: “As pessoas ainda não entenderam que o lixo deve ser colocado apenas no dia da coleta. Elas jogam lixo durante todo o dia e os contêineres não dão conta”, afirmou.

Em Ipanema, as preocupações se concentram na escolha dos locais para instalação dos coletorres e seu impacto na estética urbana. Maria Amélia Loureiro, líder da associação de moradores do bairro, defende critérios mais rigorosos: “Esses contêineres não são adequados para qualquer rua. É crucial ter cuidado para não prejudicar a paisagem urbana em áreas valorizadas”, enfatizou.

Especialistas concordam que a conteinerização é uma tendência global necessária para a gestão do lixo urbano; no entanto, seu sucesso depende de um bom planejamento e educação ambiental adequada. Antônio Januzzi, diretor técnico da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente, aponta três aspectos fundamentais: “A população deve compreender seu papel no descarte adequado dos resíduos. Além disso, garantir manutenção regular dos equipamentos e dimensioná-los corretamente para cada área é essencial”, declarou.

Ainda que receba críticas constantes, a Comlurb informa que o novo modelo já trouxe resultados positivos: segundo dados fornecidos pela companhia, a combinação entre os contêineres e ecopontos resultou em uma redução de 28% no volume do lixo jogado nas ruas — cerca de 2.200 toneladas diariamente. Contudo, eles reconhecem que ajustes são necessários e estão avaliando novos modelos alinhados às melhores práticas internacionais.

Entre as possíveis mudanças está a substituição dos atuais contêineres por versões com menor impacto visual em áreas icônicas da cidade como a orla marítima. A cor laranja dos “laranjões” pode ser trocada por cinza para melhor harmonização com a paisagem urbana enquanto se busca eficiência operacional.

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