Em meio ao aumento da tensão política no estado e às articulações para as eleições deste ano, o governador Cláudio Castro (PL) delegou a um aliado estratégico a tarefa de representá-lo em uma agenda oficial de segurança pública nesta quinta-feira (12). O secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas, escolhido como candidato do PL ao Palácio Guanabara, participou do evento realizado na Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte do Rio, onde foram entregues novas viaturas e lançado o serviço digital da Delegacia de Atendimento à Mulher.
A ausência de Castro, inicialmente esperado para a cerimônia, e a escolha de Ruas para representá-lo em uma agenda simbólica da área de segurança, reforçam a avaliação de que a disputa eleitoral já começou nos bastidores do estado, mesmo a sete meses das eleições.
Movimento político em agenda oficial
Durante o evento, Ruas destacou sua trajetória na Polícia Civil e disse que a participação na cerimônia representava um retorno às origens.
“Por conta da agenda apertada, Castro tinha um outro compromisso e me concedeu essa honra de estar aqui onde é a minha casa. Eu digo sempre para Felipe Curi (secretário de Polícia Civil) que estou deputado, estou secretário, mas sempre serei policial civil. Aqui que é minha origem”, afirmou.
A presença de Ruas ocorre em um momento de intensas articulações dentro do Partido Liberal (PL). O secretário é visto como um dos principais nomes cotados pela legenda para disputar o governo do estado em uma eventual eleição indireta (mandato-tampão de 9 meses), caso Castro deixe o cargo para concorrer ao Senado.
Lei abre caminho para mandato-tampão
No mesmo dia da agenda na Cidade da Polícia, Castro sancionou a lei que estabelece as regras para uma eventual eleição indireta para o governo do estado. O texto havia sido aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em fevereiro e foi publicado no Diário Oficial sem vetos.
A nova legislação define que, em caso de vacância do cargo de governador, a escolha do substituto será feita pelos deputados estaduais em votação aberta e nominal, em sessão pública extraordinária.
Um dos pontos mais debatidos do projeto foi mantido na versão final: o prazo de desincompatibilização de apenas 24 horas para os candidatos. A regra permite que interessados deixem cargos públicos até um dia antes da eleição indireta, bem menos que os seis meses exigidos nas eleições diretas. Pelo texto, os partidos terão cinco dias para apresentar chapas completas de governador e vice-governador após a convocação do pleito.
Caso o cargo fique vago, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, assumirá interinamente o comando do estado por até 30 dias e terá 48 horas para convocar a eleição indireta.
Castro tem até o dia 4 de abril para renunciar ao cargo caso decida disputar uma vaga ao Senado. Se isso ocorrer, a Alerj escolherá o governador que comandará o estado até o fim do atual mandato.
Troca de ataques com Paes eleva temperatura política
A movimentação política ocorre em meio ao agravamento da disputa entre Castro e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), adversário do grupo do governador nas eleições estaduais e favorito ao pleito, segundo as pesquisas eleitorais.
Nos últimos dias, Paes elevou o tom das críticas ao governo estadual, especialmente na área de segurança pública. Em uma declaração que repercutiu no meio político, o prefeito chamou integrantes da gestão estadual de “valentões” que são, na verdade, “tchuchucas do Comando Vermelho”.
A resposta veio na prática: pouco depois das declarações, a Polícia Civil, subordinada ao governo estadual, prendeu o vereador Salvino Oliveira (PSD), aliado político de Paes, suspeito de negociar apoio eleitoral com integrantes do Comando Vermelho.
Campanha já nas ruas
No ambiente político fluminense, a sequência de episódios, ataques públicos entre o prefeito e o governador, operações policiais com impacto político e a exposição de um possível candidato do PL em agendas oficiais, tem sido interpretada por aliados e adversários como sinais de que a disputa pelo Palácio Guanabara já começou, a 7 meses das eleições.



