Comerciantes do setor de panificação em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, estão denunciando um esquema de extorsão que tem impactado diretamente a produção, a rotina e o preço do pão francês na região. Segundo os donos de estabelecimentos, grupos criminosos passaram a controlar a venda de farinha de trigo, forçando a compra do produto e dificultando o acesso a fornecedores legítimos.
De acordo com os relatos dos comerciantes, as padarias estão sendo obrigadas a adquirir sacos de farinha vendidos por criminosos, mesmo tendo opções regulares no mercado. O preço do produto, que normalmente custa entre R$ 60 e R$ 70 no atacado, chega a ser revendido por até R$ 100 — em alguns casos, com qualidade inferior — sob o controle do tráfico.
Além dos prejuízos financeiros, há um clima de insegurança. Vendedores relatam ameaças e possíveis retaliações contra aqueles que tentam negociar com distribuidores legais. Há indícios de que essa prática não se limita a Belford Roxo e pode estar se espalhando para outras áreas da Baixada Fluminense, como Duque de Caxias.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, através da 54ª DP (Belford Roxo). As primeiras investigações sugerem que o esquema pode estar relacionado à facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), que teria assumido o controle da venda de farinha na região.
A Prefeitura de Belford Roxo comunicou que encaminhou o caso ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que deverá investigar possíveis crimes como extorsão qualificada, formação de cartel e atuação de organização criminosa contra os comerciantes do setor.
Enquanto as investigações continuam, os efeitos já são sentidos no cotidiano da população, que está lidando com preços mais altos e menos previsibilidade no custo de um dos alimentos mais consumidos do país.
O pão francês, que costumava ser vendido por volta de R$ 0,50 ou em promoções de três unidades por R$ 1, agora não é encontrado por menos de R$ 0,80 em alguns estabelecimentos.



