Nesta quarta-feira (15/04), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) foi o palco do lançamento do “Pequeno Manual Anti-Idadista”, uma iniciativa promovida pelo Coletivo Velhices Cidadãs, voltada para o combate ao etarismo. O evento, organizado pela Comissão de Assuntos da Pessoa Idosa, contou com a presença de especialistas e proporcionou um espaço para discussão sobre os temas relacionados ao envelhecimento e à inclusão social.
O médico gerontólogo Alexandre Kalache participou do encontro como palestrante principal e foi homenageado com uma moção de aplausos. Ele enfatizou a importância de mudar a percepção sobre a velhice, especialmente em um contexto onde a expectativa de vida está se ampliando. “Estamos vivendo uma revolução da longevidade. Nossa forma de envelhecer difere da dos nossos pais e avós. É essencial que combatamos todas as formas de ‘ismos’, pois já não são mais aceitáveis”, declarou Kalache.
Kalache também comentou sobre o caráter colaborativo do manual, que foi elaborado por 43 autores provenientes de várias partes do Brasil, todos especialistas no campo do envelhecimento. “Espero que todos nós saíamos daqui empoderados e prontos para agir, pois essa causa envolve também os jovens que desejam envelhecer em um país mais respeitoso”, acrescentou.
Munir Neto (SDD), deputado e presidente da comissão, destacou a gravidade do preconceito etário: “Este é um assunto urgente e frequentemente ignorado. O idadismo refere-se à maneira como as pessoas idosas são vistas como incapazes. A sociedade tende a excluir aqueles que possuem mais anos de vida. Combater o idadismo é uma questão de preservar a dignidade humana”, afirmou.
O deputado também enfatizou o manual como um recurso transformador. “Este material se apresenta como uma ferramenta essencial para a mudança social, nos convidando a refletir sobre nossas práticas e ações. Que ele alcance todos os segmentos da sociedade, promovendo a superação de preconceitos. Envelhecer é um direito fundamental”, disse ele.
No decorrer do evento, diversas perspectivas sobre o envelhecimento foram discutidas por especialistas. A psicóloga Danielle da Silva Freire, que dirige um Centro-Dia para idosos com Alzheimer em Volta Redonda, ressaltou a influência das construções culturais sobre a percepção da velhice. “Os estigmas culturais associados à velhice no contexto capitalista estão profundamente enraizados no inconsciente coletivo. Com o aumento da população idosa no Brasil, encontramos muitos que cuidam de seus netos ou de outros idosos; além disso, cerca de 7 milhões continuam trabalhando para sustentar suas famílias”, observou.
Danielle também destacou os efeitos sociais negativos ligados ao diagnóstico de demência: “Esse diagnóstico pode ofuscar toda a trajetória individual da pessoa, subtraindo dela o que foi construído ao longo da vida, incluindo seu poder decisório. Políticas públicas devem oferecer suporte tanto aos idosos quanto aos cuidadores, especialmente mulheres que predominam nessa função”, afirmou.
A historiadora e gerontóloga Christine Abdala reforçou que políticas integradas são fundamentais para enfrentar o idadismo: “Esse preconceito é estrutural e requer respostas igualmente estruturais. O cuidado deve ser compreendido como parte de um sistema que integra saúde, assistência social e segurança pública. Um cuidado em rede garante autonomia e independência aos idosos”, explicou.
Christine concluiu enfatizando a importância de criar cidades mais inclusivas: “Se quisermos que o Rio se torne uma cidade longeva e responsável, precisamos trabalhar na construção de espaços verdadeiramente inclusivos para todos”, finalizou.



