Comemorado no dia 23 de abril, o dia de São Jorge elevou a feijoada ao status de um dos principais ícones da culinária nas homenagens ao Santo Guerreiro na cidade do Rio de Janeiro. Embora atualmente esteja presente em quase todas as festividades, essa tradição possui raízes profundas no sincretismo religioso que une São Jorge e Ogum, orixá das religiões afro-brasileiras, que representa a guerra, a proteção e o ferro.
A origem dessa prática remonta às tradições afro-brasileiras, onde o feijão preto é visto como “comida de orixá” e faz parte de rituais e oferendas dedicados a Ogum. Com o tempo, especialmente após a introdução de práticas religiosas provenientes da Bahia na capital fluminense, a feijoada foi sendo integrada às celebrações do santo católico. Essa adaptação foi acentuada pelo sincretismo, especialmente dentro da umbanda.
Conforme aponta o historiador Luiz Antônio Simas, autor da obra “São Jorge: o santo do povo e o povo do santo”, a conexão entre a feijoada e o dia 23 de abril está intimamente ligada a essa mescla religiosa e cultural. Em relatos coletados por ele através da tradição oral, as primeiras feijoadas teriam sido associadas a um terreiro na Bahia, onde esse prato era inicialmente preparado em homenagem ao orixá Ogum.
Com o passar dos anos, essa prática se disseminou e adquiriu novas interpretações. No Rio de Janeiro, a feijoada deixou de ser apenas uma oferta religiosa para se tornar uma parte essencial das comemorações populares em honra a São Jorge, sendo incorporada em festas, eventos de rua e rodas de samba.
O samba também fortalece essa conexão cultural. São Jorge é considerado padroeiro de renomadas escolas de samba como Império Serrano, localizado em Madureira, e Beija-Flor, situada em Nilópolis. Além disso, sua imagem é frequentemente evocada em várias manifestações da cultura popular carioca.
Atualmente, a feijoada servida no dia dedicado a São Jorge tornou-se um ritual que combina fé, identidade cultural e convivência social. Em diversos restaurantes, bares e eventos ao longo do Rio, esse prato é celebrado como parte da devoção ao santo, perpetuando uma tradição que transcende religiões e gerações.



